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4 de agosto de 2013

Veganismo - O que é?

Veganismo é o modo de vida que busca eliminar toda e qualquer forma de exploração animal, não apenas na alimentação, mas também no vestuário, em testes, na composição de produtos diversos, no trabalho, no entretenimento e no comércio. Veganos opõem-se, obviamente, à caça e à pesca, ao uso de animais em rituais religiosos, bem como a qualquer outro uso que se faça de animais.
Veganos são, portanto, vegetarianos que excluem animais e derivados não apenas de sua dieta, mas também de outros aspectos de suas vidas. Esse modo de vida fundamenta-se ideologicamente no respeito aos direitos dos animais e pode ser praticado por pessoas de quaisquer credo, etnia, gênero ou preferência sexual. O veganismo não tem relação com crenças políticas nem com preferências musicais, nem deve ser associado a determinada cultura. Trata-se, portanto, de uma prática universal.

Como praticar o veganismo
Embora a abstenção de produtos e serviços derivados da exploração animal pareça resultar em um modo de vida bastante restritivo, a prática do veganismo é relativamente simples e fácil, especialmente nos grandes centros urbanos.
Veganos são, primeiramente, vegetarianos. Isso significa que veganos jamais devem consumir alimentos que contenham a carne de nenhum animal (inclusive aves, peixes e invertebrados), ovos, leite, gelatina, mel, cochonilha ou outros ingredientes derivados de animais.
A dificuldade maior em não consumir esses alimentos encontra-se no fato de que a maior parte dos produtos industrializados possui um ou mais deles em sua composição. No entanto, é importante que produtos que possuam tais ingredientes, ainda que em pequenas quantidades, sejam boicotados, optando-se por produtos que não os contenham em sua composição.
Muitos vegetarianos optam por não consumir alimentos industrializados para, desta maneira, evitar o consumo de alimentos cuja composição não seja bem conhecida. Tal escolha é uma opção pessoal, não sendo tal prática inerente ao veganismo. Desde que isentos de ingredientes de origem animal, alimentos industrializados podem ser consumidos por vegetarianos.
Veganos devem, sempre que possível, evitar a utilização de produtos testados em animais ou que possuam ingredientes de origem animal em sua composição. A experimentação animal é uma das formas mais cruéis de exploração animal, estando, no entanto, bastante difundida, sobretudo nos produtos farmacêuticos, de higiene e em cosméticos. Há, porém, diversas marcas e linhas de produtos que não utilizam elementos de origem animal e nem utilizam animais para testar seus produtos.
Veganos também devem dar atenção ao vestuário. Sapatos e acessórios de couro, peles, seda, lã, penas e plumas são produtos oriundos da exploração animal. Há diversas opções no mercado que substituem com vantagens tais itens e não há como justificar a necessidade de continuar tal uso.
De igual maneira, veganos jamais devem entreter-se às custas de animais. Animais não estão nos zoológicos e aquários por opção; eles não realizam performances em circos porque assim o querem, nem pulam em rodeios porque consideram isso divertido. É óbvio que esses animais são coagidos a participar desses "espetáculos" torpes.
Não há como considerar touradas, corridas de animais, rinhas, vaquejadas, cavalhadas, caça, pesca e outras formas de tortura como sendo esportes ou manifestações culturais. Elas são, isso sim, demonstrações grosseiras e cruéis da dominação humana sobre outras espécies.
Embora veganos possam tutelar animais, deve haver toda uma ética em relação à aquisição dos mesmos. Animais jamais devem ser adquiridos mediante transação comercial, permuta ou escambo, nem devem provir de ninhadas produzidas intencionalmente com o objetivo de venda dos filhotes. Salvo algumas exceções, veganos geralmente adotam animais abandonados, preferindo animais sem raça definida e com menores chances de serem adotados por outros tutores.
Veganos devem opor-se, igualmente, a todas as outras formas de exploração animal.

Os veganos são radicais?
Em um certo sentido todas as pessoas do mundo são radicais. A maioria de nós é radicalmente contra a violência, radicalmente contra o abuso infantil, a injustiça... Não há nada de errado em ser radical em questões que julgamos justas.
O contrário de ser radical é ser moderado. Mas será que é sempre certo sermos moderados? Que imagem devemos ter de uma pessoa que tenha uma visão permissiva em relação a questões como a escravidão, o estupro e tantas outras?
Sim, veganos são radicais porque não aceitam de forma alguma a exploração animal, assim como não aceitam de forma alguma a exploração humana. Não aceitar significa fazer algo a respeito, mesmo que isso signifique questionar o modo de vida que estamos acostumados a ter.

De que forma o veganismo atua em defesa dos animais?
Todo sistema produtivo está sujeito às leis de mercado, inclusive os sistemas que envolvem a exploração animal. A cadeia produtiva que envolve esta inclui o produtor ou criador, o transportador, o processador ou abatedor, o distribuidor, o comerciante e o consumidor. Todos esses são elos importantes da cadeia de exploração animal e a falta de quaisquer desses elos compromete todo o funcionamento do sistema.
Pode-se dizer que uma pessoa que participe dessa cadeia apenas como consumidor é tão responsável pela morte do animal quanto, por exemplo, o abatedor, pois se trata de um sistema de exploração cíclico e interdependente. Como em qualquer crime, há a mão que desfere o golpe, mas tão responsável quanto quem o desferiu é a mão que paga por ele. Se ninguém comprasse carne, leite e ovos não haveria quem os vendesse. Não haveria interesse por sua produção, seu transporte e sua comercialização.
A proposta principal do veganismo consiste em atuar como uma força de mercado. Veganos efetivamente impedem que mais animais continuem a ser explorados quando boicotam produtos de origem animal, que tenham sido testados em animais ou que de alguma forma derivem ou resultem de exploração animal.
E maior será essa força de mercado quanto maior for o número de veganos efetivamente atuando nesse boicote. Por esse motivo há a necessidade de divulgação do veganismo para o maior número de pessoas possível. O objetivo do veganismo é pôr fim à exploração animal.

O que eu posso fazer?
O primeiro passo para trilharmos o caminho do veganismo e dos direitos dos animais é tornarmos a nós mesmos veganos, adotando esse modo de vida. Em muitos lugares encontraremos pessoas que dizem respeitar os direitos dos animais, mas se elas mesmas não se tornaram veganas elas não podem dizer que estão efetivamente defendendo os direitos dos animais. O veganismo é o primeiro e não o último passo a ser dado.
Esse importante passo só pode ser dado concomitante com a educação. Apenas educando-nos podemos adotar um veganismo consciente. O veganismo sem consciência nada mais é do que uma fase efêmera da vida. A educação também propicia que nos pronunciemos com propriedade sobre determinado assunto.
O segundo passo é tornarmo-nos difusores desse modo de vida. O veganismo deve ser sempre difundido por meio da educação e jamais por campanhas violentas, coercivas ou de mau gosto. As informações transmitidas ao público devem ser sempre confiáveis e bem fundamentadas, pois o veganismo deve ser algo atraente e não repulsivo, deve ser abrangente e não limitador.



Por Nathalia Mota

29 de julho de 2013

8 Documentários para assistir e baixar de graça


Chame os amigos e abra um debate sobre a relação Homem X Animais. Para assistir ao documentário Terráqueos, clique aqui.
TERRÁQUEOS (Earthlings) é um filme-documentário sobre a absoluta dependência da humanidade em relação aos animais (para estimação, alimentação, vestuário, diversão e desenvolvimento científico), mas também ilustra nosso completo desrespeito para com os assim chamados "provedores não-humanos".
 Este filme é narrado por Joaquin Phoenix (GLADIADOR) e possui trilha sonora composta pelo instrumentista, dj e compositor Moby. Com um profundo estudo dentro das pet-shops, criatórios de filhotes e abrigos de animais, bem como em fazendas industriais, no comércio de couro e peles, indústria de esporte e entreterimento, e finalmente na carreira médica e científica, TERRÁQUEOS usa câmeras escondidas e filmagens inéditas para narrar as práticas diárias de algumas das maiores indústrias do mundo, as quais dependem de animais para lucrar.
 Impactante, informativo e provocando reflexões, TERRÁQUEOS é de longe o mais completo documentário jamais produzido sobre a conexão entre natureza, animais, e interesses econômicos.


  

A Carne É Fraca é um documentário produzido pelo Instituto Nina Rosa. “Alguma vez você já pensou sobre a trajetória de um bife antes de chegar ao seu prato? Nós pesquisamos isso para você e contamos neste documentário aquilo que não é divulgado. Saiba dos impactos que esse ato – aparentemente banal – de consumir carne representa para a sua saúde, para os animais e para o Planeta.” – Sinopse feita pelos produtores. Assista aqui (link para o Youtube)






Forks Over Knives (Troque o Faca Pelo Garfo) - O documentário que fez o músico Ozzy Osbourne se tornar vegano! Documentário que aborda um dos grandes problemas da sociedade moderna: os graves problemas de saúde que afetam parte significativa da população causados por um cardápio de alimentos de origem animal. Assista aqui.



















SINOPSE: “The Cove” (ou A Enseada) mostra um grupo de ativistas ambientalistas que, munidos de equipamentos de filmagem com alta tecnologia e liderados pelo ex-treinador de golfinhos Ric O’Barry, vão até uma enseada em Taijii, no Japão, para registrar a chocante caça aos golfinhos e o cruel abuso desses animais.
Assista e divulgue: www.vista-se.com.br/cove
O filme não é baseado em cenas fortes e é imperdível.


Uma Vida Interligada é um pequeno e excelente documentário educativo que apresenta importantes informações sobre questões éticas, ambientais, sustentabilidade e sociais dentro da temática do vegetarianismo e do consumo de produtos, que representa um assunto urgente e de vital importância para a sobrevivência de todo o planeta e da espécie humana, para o presente e o futuro. Não contém cenas fortes. Assista aqui.




Meat the Truth é um documentário que faz um adendo aos filmes anteriores sobre as mudanças climáticas que têm ignorado repetidamente uma das mais importantes causas da mudança climática: a pecuária intensiva. O documentário demonstra com dados que a criação de gado gera mais emissões de gases de efeito estufa em todo o mundo que todos os carros, caminhões, trens, barcos e aviões somados. Feito pelo “Partido dos Animais” da Holanda. Assista aqui.




Behind The Mask (por trás da máscara) é um documentário sobre ativistas dos direitos dos animais que invadem laboratórios e outras instalações que torturam animais para resgatar inocentes de uma prática antiga e cruel: a vivissecção. As ações são filmadas e fornecem imagens sobre o modo como os animais são tratados. Independentemente do que se pensa sobreas táticas do Animal Liberation Front, o filme é extraordinário. Assista aqui.





Como o próprio McCartney costuma dizer: “se matadouros tivessem paredes de vidro, todos seriam vegetarianos”. A julgar pelas chocantes cenas do filme, ele não deixa de ter razão. O vídeo foi dublado por Evandro Oliva. Assista aqui.


Fonte

Por Nathalia Mota

12 de maio de 2013

Quanto custa um animal?

“Quanto custa?” é um curta-metragem de 6 minutos disponível para visualização no Youtube desde 2012. Por meio de uma brilhante edição audiovisual, Fiori Vonière aborda de forma crítica o comércio de animais e sua cruel condição de mercadoria. Cães, gatos, tartarugas, peixes, hamsters, coelhos e outros animais aparecem engaiolados ou expostos em vitrines de vidro, da mesma forma como se expõe qualquer produto para consumo humano.


Fonte
Por Nathalia Mota

23 de março de 2013

Documentário: A Engrenagem




Vegano(a) é a pessoa que pratica o veganismo, não contribuindo para o sofrimento dos animais, seja para alimentação, vestuário, entretenimento ou qualquer outra atividade que possa envolver exploração animal.

Saiba mais em http://www.sejavegano.com.br/

Por Nathalia Mota

31 de janeiro de 2013

"O que veio antes?" - Ótimo documentário!

"Foi por isso que parei de comer carne. E foi tão fácil que chega a ser ridículo. Cortar a crueldade da dieta beneficiou todos os aspectos da minha vida. Me sinto incrivelmente melhor física, mental e espiritualmente. Se você fizer a mesma escolha, poupará sozinho dezenas de animais do sofrimento." Stede-O, ator norte-americano.



 "Um documentário pequeno mas de valor extraordinário para todos os que realmente amam todos os animais e não apenas cães e gatos. Uma mensagem que precisa sensibilizar e chegar a todos os seres humanos!"

Mais informações aqui!
Por Nathalia Mota

15 de dezembro de 2012

Como substituir ingredientes de origem animal por ingredientes veganos



Pense sempre no sabor do seu prato e qual a função do substituto, dar liga, fazer crescer…

PINCELAR MASSA:
1 - Diluir em água açafrão e pincelar
2 - Colocar por cima um pouco de oleaginosas (nozes, castanhas) de manteiga vegetal
3 - Diluir shoyu com água e pincelar.
4 - Diluir molho de tomate e pincelar.

LINHAÇA
Bate as sementes no processador de alimentos até virar pó. É tão fácil que não vale a pena guardar. Quando precisar, tritura uma ou duas colheres, acrescenta 2 ou 4 colheres cheias de água e deixe repousar por 15 ou 20 minutos. Junte uma colher de chá de leite de soja em pó e tem um verdadeiro substituto d´ovo. Usar em: panquecas, bolinhos, biscoitos, e bolos.

Polvilho azedo:
Dissolver 1 chávena de polvilho azedo em uma tigela com água. Agora basta colocar na panela e ir mexendo. Vá controlando, até que atinja o ponto de clara de ovo.

PARA BOLOS DE TABULEIROS
Troco um ovo por:
2 colheres de sopa de leite vegetal
¼ de colher de chá de fermento em pó.

Troco a manteiga por:
o mesmo peso em óleo vegetal: de arroz, de girassol ou de milho.

BOLOS:
Trocar um ovo por:
2 colheres de chá de fermento em pó
3 colheres de chá de bicarbonato de sódio
1 colher de chá de vinagre de cidra
Preparação:
1 - Misture tudo muito bem
2 - Dose para cada ovo indicado na receita

MAIS  BOLOS:
Troco cada ovo por:
2 colheres de sopa de leite vegetal, (soja, aveia ou arroz)
½ colher de sumo de limão
½ colher de bicarbonato de sódio.

PARA BOLOS DE FRUTAS:
Troco um ovo por:
1 colher de chá de araruta,
1 colher de sopa de farinha de soja,
2 colheres de sopa de água.

TOFU:
30 g de tofu
¼ de chávena de chá de sumo de maçã
2 Colheres de sopa de araruta
1 banana pequena·

Preparação:
1 - Coloque o tofu, banana, a araruta e o sumo da maçã no processador
2 - Bata até obter uma massa homogénea
3 – Dose para cada ovo indicado na receita.

POLME ou PANAR:
1 Colher de sopa de maizena ou farinha de soja fica ao seu critério
2 colheres de sopa de água
Preparação
1 - Diluir muito bem
2 - Utilizar no lugar do ovo
3 - Ou simplesmente ignore que o polme leva ovo.

Dicas DIVERSAS:
• 1 clara de ovo = 1 colher de sopa de ágar-ágar em pó, dissolva em 1 colher de sopa de água:  bata bem, deixe esfriar no frigorifico e bata novamente.
• 1 ovo = 1 banana pequena verde cozida e triturada = biomassa.
• 1 ovo = 1 colher (sopa) de semente de linhaça em pó misturada a 3 colheres de sopa de água (deixe em fogo baixo até quase ferver). Excelente adição de ómega 3 à sua receita.
• 1 ovo = banana madura amassada (receitas doces) (normalmente é mais ou menos uma colher cheia para cada ovo),
• 1 ovo = ¼ chávena de ameixa seca amassada
• 1 ovo = 1 colher de sopa de óleo e 1 de sumo de maça,
• 1 ovo = baba de quiabo,
• 1 ovo = Farinha de rosca,
• 1 ovo = 2 colheres de sopa leite vegetal + ½ colher de chá de limão...
• 1 ovo = 2 colheres de sopa de amido de batata (óptimo para dar liga)
• 1 ovo = ¼ chávena de puré de maçã (óptimo para doce)
• 1 ovo = 1 colher de sobremesa de lecitina de soja com + 1 colher de sobremesa de água,
• 1 ovo = 1 banana amassada: também (óptimo para doces). Adicione ½  colher de chá de fermento para obter uma textura mais fina
• 1 ovo = 2 colheres de sopa de água + 1 colher de sopa de azeite + 2 colheres de chá de fermento
• 1 ovo = ¼ chávena de puré de batatas (óptimo para dar liga).

Fonte
Por Nathalia Mota

7 de novembro de 2012

A Engrenagem: um novo documentário



Idealizado por um ex-grande empresário da pecuária que se tornou vegetariano e ativista social, o curta “A Engrenagem” é uma peça única dentro das ferramentas de maior impacto na divulgação da filosofia de vida vegana. Muito bem produzido e com a participação voluntária do ator Eduardo Pires e da apresentadora Ellen Jabour, “A Engrenagem” promete abalar as estruturas da tal engrenagem, espalhando informações concisas e fundamentais sobre o consumo de produtos de origem animal.

O roteiro de Denise Tavares Gonçalves, a mesma que escreveu o “A Carne é Fraca”, grande sucesso do Instituto Nina Rosa, merece destaque dentro da obra. O texto de Denise realmente faz do “A Engrenagem” um documentário pequeno, completo e necessário.

Sinopse
A discussão sobre o veganismo e seus benefícios ao meio ambiente e ao futuro é extensa e muito mais complexa do que simplesmente parar de comer carne. Envolve a diminuição da poluição atmosférica, a preservação de recursos vegetais e hídricos, e muitas outras questões.
Numa linguagem descontraída, o filme tem a participação voluntária da modelo e apresentadora Ellen Jabour e do ator Eduardo Pires, ambos vegetarianos, e tem o objetivo de alertar e levantar algumas questões como “Você já se perguntou de onde vem nossa comida? Quais os impactos que ela nos traz?”. A Engrenagem responde.

Assista ao filme




Fonte
Por Nathalia Mota

28 de outubro de 2012

É ambientalista, mas come carne?


Um conjunto de fatos sobre o desmatamento e o consumo de carne e outros produtos de origem animal

Por Thiago Fonseca | Comer não é só uma questão de matar a fome. A decisão sobre que comida colocar no prato tem implicações econômicas, ambientais, éticas, culturais, fisiológicas, filosóficas, históricas, religiosas. Neste texto, abordaremos as implicações ambientais da decisão de comer carne.

Se todos fossem vegetarianos, é provável que não houvesse tanta fome no mundo. É que os rebanhos consomem boa parte dos recursos da Terra. Uma vaca, num único gole, bebe até 2 litros de água. Num dia, consome até 100 litros. Para produzir 1 quilo de carne, gastam-se 43.000 litros de água. Já um quilo de tomates custa ao planeta menos de 200 litros de água.

Sem falar que damos grande parte dos vegetais que produzimos aos animais. Um terço dos grãos produzidos no mundo vira comida de vaca. No Brasil, o gado quase não come grãos – graças ao clima, é criado solto e se alimenta de grama. Mas boa parte da nossa produção de soja, uma das maiores do mundo, é exportada para ser dada ao gado que está lá. Outra questão é que a pecuária bovina estimula a monocultura de grãos. Num mundo vegetariano, haveria lavouras mais diversificadas e teríamos muito mais recursos para combater a fome.

E não se trata só de comida. A pecuária esgota o planeta de outras formas. “Para começar, ocupa um quarto da área terrestre e não para de se expandir”, diz o ativista vegetariano Jeremy Rifkin. A pressão para a derrubada das florestas, inclusive a amazônica, vem em grande parte da necessidade de pasto. Entre os danos ambientais causados pelo gado, está também o aquecimento global.

As pessoas deveriam considerar comer menos carne como uma forma de combater o aquecimento global, segundo o principal cientista climático da Organização das Nações Unidas (ONU). Números da ONU sugerem que a produção de carne lança mais gases do efeito estufa na atmosfera do que o setor do transporte.

A Organização da ONU para Agricultura e Alimentos (FAO) estima que as emissões diretas da produção de carne correspondem a 18% do total mundial de emissões de gases do efeito estufa. Esse número inclui gases do efeito estufa liberados em todas as etapas do ciclo de produção da carne – abertura de pastos em florestas, fabricação e transporte de fertilizantes, queima de combustíveis fósseis em veículos de fazendas e emissões físicas de gado e rebanho. O transporte, em contraste, responde por apenas 13% da pegada de gases da humanidade, segundo o IPCC.

Pesquisas mostram que as pessoas estão ansiosas sobre suas pegadas de carbono e reduzindo as jornadas de carro, por exemplo, mas elas talvez não percebam que mudar o que está em seu prato pode ter um efeito ainda maior.

Parar de comer carne sempre foi a bandeira dos vegetarianos. Suas razões eram principalmente a saúde humana e os direitos dos animais. Hoje, o foco mudou. “Agora o meio ambiente pesa na decisão de não comer carne”, diz o biólogo Sérgio Greif, da Sociedade Vegetariana Brasileira.

Um dos mais expoentes adeptos da campanha por menos carne e mais florestas é o biólogo americano Edward Wilson, da Universidade Harvard. Segundo ele, só será possível alimentar a população mundial no fim do século se todos forem vegetarianos. “O raciocínio é matemático”, diz Greif. A produção de grãos de uma fazenda com 100 hectares pode alimentar 1.100 pessoas comendo soja, ou 2.500 com milho. Se a produção dessa área for usada para ração bovina ou pasto, a carne produzida alimentaria o equivalente a oito pessoas. A criação de frangos e porcos também afeta as florestas. Para alimentá-los, é necessário derrubar árvores para plantar soja e produzir ração. Mas, na relação custo-benefício entre espaço, recursos naturais e ganho calórico, o boi é o pior.

O gado tem sido considerado o grande vilão da Amazônia. Hoje, o Brasil mantém 195 milhões de bovinos. Há mais bois que pessoas. Cerca de 35% desse rebanho está na Amazônia. Para alimentar o gado, os pecuaristas desmataram uma área de 550 quilômetros quadrados, o equivalente ao estado de Minas Gerais. Criados livres no campo, sem ração, os bois precisam todo ano de novas áreas derrubadas para a formação de pasto.

A pecuária na região está ligada à ocupação irregular de terras públicas. As terras da região pertencem ao Estado e em sua maioria foram tomadas na forma de posse. “Sem ter de pagar pela terra, fica mais barato produzir lá que no Sul e no Sudeste”, diz Paulo Barreto, do Imazon. Para comprovar a posse da área tomada, o fazendeiro precisa mostrar que a terra é produtiva. “Para isso também servem os bois”, afirma Barreto.

Resultado de cinco meses de trabalho, os números de um estudo coordenado por Mercedes Bustamante, da Universidade de Brasília (UnB), Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e Roberto Smeraldi, da ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, mostram que, em 2005, a emissão de gases-estufa (GEE) da pecuária representou 48% do total brasileiro. A atividade emitiu 1,055 bilhão de toneladas de GEE sobre 2,203 bilhões do total nacional, número do tão esperado inventário brasileiro de emissões, divulgado só recentemente pelo Ministério da Ciência e Tecnologia.

“A diferença desse estudo em relação às abordagens estatísticas tradicionais é que elas dividem as emissões por categorias, e nossa abordagem é pela cadeia de um produto específico”, explicou Smeraldi. “Então ela é transversal, porque envolve uso da terra e fermentação entérica (basicamente, arroto de boi e vaca), por exemplo, processos que estão separados no inventário.”

Um quilo de carne industrializada significa 300 quilos de gás-estufa emitido, e esses 300 kg custam R$ 10 no mercado de carbono. Assim, é a primeira vez que a chamada “pegada de carbono” de um produto específico, no caso a carne bovina, é calculado. Pegada de carbono é a quantidade de gás-estufa liberada direta ou indiretamente por uma certa atividade. “O interessante desses dados é que eles podem começar a traduzir toda a situação para o consumidor, a dona de casa, o investidor”, comentou Smeraldi.

“Essa é a diferença de ter números sobre categorias e números sobre produtos: 1 quilo de carne industrializada significa 300 quilos de gás-estufa emitido, e esses 300 kg custam R$ 10 no mercado de carbono. É mais do que o custo da própria carne por quilo no atacado (o kg do dianteiro custa R$ 3,60; do traseiro, R$ 5,90)”, disse o especialista.

“Como investidor eu posso raciocinar que, se a carne tivesse que pagar o CO2 que emite, ficaria inviável. Por outro lado, se seguir boas práticas, posso reduzir uma barbaridade essa emissão e vender o CO2 poupado no mercado de emissões por um preço superior ao da carne. Frigorífico pode fazer mais dinheiro vendendo redução de carbono do que vendendo a própria carne.”

No topo absoluto da cadeia alimentar, os seres humanos se dão ao luxo de comer de tudo, mas a um preço elevado: a pesca maciça está levando as espécies marinhas à extinção, e a piscicultura polui a água, o solo e a atmosfera – o que precisa fazer com que mudemos de hábitos. Alimentar a humanidade – nove bilhões de indivíduos até 2050, segundo as previsões da ONU – exigirá uma adaptação de nosso comportamento.
Mesmo que seja fonte essencial de proteínas, a carne bovina não é “rentável” do ponto de vista alimentar: são necessárias três calorias vegetais para produzir uma caloria de carne de ave, sete para uma caloria de porco e nove para uma caloria bovina. Dessa maneira, mais de um terço (37%) da produção mundial de cereais serve para alimentar o gado – 56% nos países ricos – segundo o World Ressources Institute.

Seria o caso, então, de reduzir o consumo de carne e substituí-lo pelo peixe? Os oceanos não podem ser considerados uma despensa inesgotável, estimou Philippe Cury, diretor de pesquisas do Instituto de Pesquisas para o Desenvolvimento (IRD). O número de pescadores é duas a três vezes superior à capacidade de reconstituição das espécies. No atual ritmo, a totalidade das “espécies comerciais” haverá desaparecido em 2050.

A agricultura, particularmente produtos de carne e laticínios, é responsável pelo consumo de cerca de 70% da água doce do mundo, 38% do uso de terra e 19% das emissões de gases estufa. Espera-se que os impactos da agricultura cresçam substancialmente devido ao crescimento da população e o crescimento do consumo de produtos animais. Ao contrário dos combustíveis fósseis, é difícil produzir alternativas: as pessoas têm que comer. Uma redução substancial de impactos somente seria possível com uma mudança de dieta, eliminando produtos animais.

Um painel de especialistas categorizou produtos, recursos e atividades econômicas e de transporte de acordo com seus impactos ambientais. A agricultura se equiparou com o consumo de combustível fóssil porque ambos crescem rapidamente com o maior crescimento econômico. O professor Edgar Hertwich, principal autor do relatório, disse: “Produtos animais causam mais dano que produzir minerais de construção como areia e cimento, plásticos e metais. Biomassa e plantações para animais causam tanto dano quanto queimar combustíveis fósseis.”

A diminuição do consumo de carne e leite em todo o mundo levaria, até 2055, a uma redução de 80% das emissões de gases que agravam o efeito estufa no setor agropecuário. A conclusão é de um estudo divulgado pelo Instituto de Estudos das Mudanças Climáticas de Potsdam, na Alemanha.

O coordenador do estudo, Alexander Popp, afirma que “a carne e o leite podem realmente fazer a diferença”. A explicação, segundo ele, é que uma redução no consumo desses itens levaria a uma queda nas emissões de dois dos gases que mais agravam o aquecimento: o metano e o óxido de nitrogênio. Esses gases são lançados na atmosfera durante a fertilização dos campos agrícolas e na produção de ração para alimentar vacas, ovelhas e cabras, entre outros animais.

Dito isso, fica a pergunta: o que você quer fazer com o planeta? Cuidar dele ou devorá-lo?

REFERÊNCIAS
http://super.abril.com.br/superarquivo/2002/conteudo_120220.shtml
http://noticias.uol.com.br/bbc/reporter/2008/09/07/ult4909u5467.jhtm
http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/1,,EDG77074-6010,00.html
http://terramagazine.terra.com.br/blogdaamazonia/blog/2009/12/10/metade-das-emissoes-de-gases-de-efeito-estufa-do-brasil-vem-da-pecuaria/
http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI4281337-EI294,00-Terra+e+incapaz+de+acompanhar+ritmo+atual+de+consumo+de+carnes+e+pescado.html
http://www.guardian.co.uk/environment/2010/jun/02/un-report-meat-free-diet
http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,emissoes-estao-ligadas-a-consumo-de-carne-e-leite,573630,0.htm
http://www.greenpeace.org/brasil/Global/brasil/report/2011/11-08-26_An%C3%A1lise%20do%20aumento%20do%20desmatamento%20no%20MT.pdf

Por Nathália Mota

22 de outubro de 2012

O que é um VEGANO?




Veganismo é uma opção de vida de pessoas que por razões éticas (relacionadas ao respeito aos direitos animais) prescindem do uso de qualquer produto de origem animal na sua vida cotidiana.
Simplificando: Um vegano é uma pessoa que não apenas diz que ama os animais.

O que um vegano não faz:
* Um vegano não come nenhum produto de origem animal. Sim, isso inclui frango, peixe, leite, ovos, gelatina, cochonilha (Você sabia que usam esses insetos na sua comida?)…
* Um vegano não usa roupas feitas com couro, peles, lã, seda…
* Um vegano busca boicotar empresas que façam testes com animais.
* Um vegano não vai a circos, zoológico, touradas, rodeios ou qualquer forma de entretenimento que utilize animais.
* Um vegano não compra animais de estimação, afinal, amigos não se compram.

O que um vegano não é:
* Como os direitos animais são uma evolução dos direitos humanos, um vegano não é racista, machista, xenófobo ou homofóbico.
* Um vegano não é um hippie natureba.
* Um vegano não é um neurótico por saúde que fica contando calorias. Veganos não estão “de dieta”.
* Um vegano não é uma pessoa desequilibrada que busca utlizar os animais por ter péssimas relações com outros humanos.

Mas afinal o que os veganos são?
* Os veganos são advogados, médicos, filósofos, antropólogos, biólogos, físicos, engenheiros, designers, estudantes, desempregados, empresários…
* Os veganos são pessoas pacíficas, pois defendem os Direitos Humanos, assim como os Direitos Animais.
* Os veganos podem ter qualquer religião, qualquer credo, qualquer orientação sexual, qualquer estilo.
* Os veganos, assim como você, são pessoas muito preocupadas com o aquecimento global, com a violência, com a pobreza, com a falta de empregos e com as crianças de rua.

E o que eles podem fazer?
* Veganos podem comer todos os alimentos de origem vegetal – cereais, frutas, legumes e verduras – e cogumelos.
* Veganos podem comer fast-food, tomar refrí, comprar alimentos industrializados ou mesmo transgênicos. Mas, é claro, veganos adoram discutir essas questões e sempre têm uma opinião formada.
* Veganos podem beber! Ah, a não ser aquela tequila com vermes.
* Veganos podem fazer sexo. (E com uma vantagem: a super dieta afrodisíaca vegana).
* Veganos podem ir ao cinema, ao teatro, a parques, museus…
* Veganos podem adotar animais, devem esterilizá-los e dar a eles muito amor e proteção.

Por que devo ser vegano?
A decisão de se tornar vegano não precisa ocorrer da noite para o dia (é ótimo quando ocorre): ela pode começar com uma possibilidade, ir amadurecendo e enfim se concretizar.
Se quero assumir uma postura de respeito aos animais, não há outro caminho. Assim, a decisão de se tornar vegano começa com uma tomada de consciência: é moralmente errado explorar os animais (independentemente de se com ou sem dor).
Tornamo-nos veganos quando nos damos conta de que é errado pensar e agir como se os animais fossem nossa propriedade. Onde se legitimaria esse pressuposto de que animais são produtos a nosso dispor?
Devo ser vegano se entender que é uma obrigação moral não usar os animais, sendo assim o veganismo a única opção ética de quem se deu conta de que os animais não nos pertencem.

Uma pequena introdução aos Direitos Animais:
* Animais não-humanos também sentem dor, possuindo todos os mecanismos biológicos para tanto e a expressam de forma muito
* Animais não-humanos sentem stress da mesma forma que nós quando privados de sua liberdade, e em geral, animais em seu meio ambiente necessitam de grandes espaços para se locomover, caçar, voar, nadar, montar tocas e criar suas famílias.
* Animais não-humanos também gostam de conforto.
* Grande parte dos animais não-humanos também possuem famílias, e muitos dão tanto valor à estas quanto nós. A privação decorrente da separação de mães e filhos é extremamente dolorosa para eles.
* Animais também gostam de trabalhar e são extremamente engenhosos, basta ver o joão-de-barro, as formigas e o incrível trabalho do castor.
* Animais também gostam de se comunicar. Apesar de não compreendermos, a comunicação não é feita apenas pela linguagem humana. Golfinhos são capazes de dar nomes à seus semelhantes.
* Animais também gostam de pensar e de jogar. Para os animais carnívoros, a caça é um jogo que os une. Porcos são capazes de operar joysticks. Gorilas e chimpanzes são capazes de se comunicar via linguagem de sinais.
* Animais também dão valor às suas vidas e são capazes de sofrer e lutar muito para mantê-las.
* Animais também são capazes de amar.

Fonte:
www.gaepoa.org/site/index.php?m=Materia&id=6
www.gaepoa.org/site/index.php?m=Materia&id=7
www.poramoraosanimais.blog.terra.com.br
—–
Primeiros passos: www.SejaVegano.com.br


Por Nathalia Mota

27 de setembro de 2012

“Compaixão” | Documentário faz pensar sobre nossa relação com algumas espécies de animais


Um breve mas poderoso documentário para todos os públicos 
Sem cenas fortes
O documentário australiano “Compaixão” nos leva a pensar sobre nossas atitudes diárias e, principalmente, sobre nossa relação com algumas espécies de animais. O filme reúne trechos de palestras de 2 grandes ativistas australianos.

Palestrantes do documentário
David Coles, ex-publicitário e locutor, hoje palestrante e escritor vegano.
Philip Wollen, ex-banqueiro vice-presidente do CitiBank, hoje Diretor da Windsome Constance Kindness Trust (conheça), ONG vegana.


Assista | Vídeo no Youtube | Baixar (.avi | 57mb)



Por Nathalia Mota

19 de setembro de 2012

“Os órfãos do leite” | Uma investigação sobre a indústria leiteira da América do Sul


No mínimo, você nunca mais vai consumir laticínios do mesmo jeito.

Em um excelente trabalho, a ONG chilena “Elige Veganismo” conseguiu reunir um material polêmico e inédito na América do Sul sobre a indústria do leite e seus derivados. Os ativistas chilenos se infiltraram como trabalhadores em mais de uma dúzia de pequenas, médias e grandes empresas de leite em seu país. O resultado de meses de gravação já era esperado mas, ainda assim, surpreende e choca.
O vídeo documentário que resume o trabalho da “Elige Veganismo” tem 30 minutos e pode ser assistido no Youtube. Nele, os ativistas contam as etapas da vida de vacas e seus filhotes nessa indústria.

Inseminação
Para ter leite, assim como uma mulher, uma vaca precisa estar “grávida” (ou prenha, como dizem). Para manter as vacas em um ciclo em que possam ser ordenhadas e exploradas, os criadores inseminam artificialmente estes animais. O processo é, obviamente, invasivo e estressante.

Mastites
Por serem constantemente ordenhadas por máquinas e consumirem rações que fazem com que a produção de leite cresça acima do normal da espécie, as vacas sofrem de doenças relacionadas a inflamações e inchaços dolorosos.

O nascimento das crias e a separação
Antes do nascimento das crias, as vacas são diariamente ordenhadas por máquinas para fornecer leite ao produtor. Quando nascem os bebês, os fazendeiros separam imediatamente os filhotes de suas mães. Os que não são mortos, choram pela presença de suas mães por até 20 dias. Estes são os órfãos do leite. As mães, por sua vez, continuam berrando por suas crias por dias.

Filhotes macho: morte. Filhote fêmea: exploração e morte
Se o filhote for macho, está fadado a receber uma injeção que o mata, pois simplesmente não tem valor comercial no ciclo da indústria do leite. Alguns deles são destinados à produção de vitela (tipo de carne branca apreciada como iguaria). A vitela, embora seja uma carne bovina, é considerada branca por ser deficiente em ferro. Os bezerros machos são criados amarrados e em uma dieta com zero de ferro para que sua carne se torne macia, com músculos pouco desenvolvidos. Este processo dura alguns meses e o bebê macho é morto enquanto ainda é um bebê. Portanto, a carne de vitela é branca e macia porque vem de um animal anêmico e que é forçado a ficar parado por toda sua pequena vida.
Se a filhote for fêmea, é encaminhada para outra área da fazenda onde vai crescer em espaços minúsculos para logo começar a ser inseminada e explorada como sua mãe foi e recomeçar o ciclo. Ainda bebês, têm seus chifres brutalmente impedidos de crescer: os fazendeiros passam uma espécie de pasta cáustica que faz com que as filhotes se contorçam de dor por horas. Nos chifres, estes animais têm milhares de terminações nervosas. Depois, um empregado esfrega um ferro quente na área para “matar” o chifre.

No final, o destino é o mesmo dos animais considerados “de corte”: o matadouro
Nas fazendas investigadas no Chile, a vida média das vacas leiteiras é de 5 anos. São 5 anos de dor, exploração e angústia. No final, elas simplesmente são descartadas como carne barata.

Padrão na indústria, inclusive no Brasil
Infelizmente, as cenas conseguidas nas mais de 12 fazendas visitadas no Chile não são casos isolados. Estes fatos apenas reforçam tudo que já havíamos visto em países europeus e norte-americanos. No Brasil, onde foram produzidos apenas em 2010 mais de 20 bilhões de litros de leite, os processos são parecidos. Muda o jeito de “descartar” o bezerro macho de uma fazenda para a outra, muda o tratamento para melhor ou para a pior aqui ou ali, mas a exploração é o foco do negócio e a crueldade é parte do manejo.

Infelizmente, nosso país é disparado o maior produtor de leite de vaca do mundo. O Brasil, sozinho, explora mais do que o dobro de vacas que toda a União Europeia somada, que vem em segundo lugar.

A investigação chilena deu origem a este site: www.huerfanosdelaleche.com


Por Nathalia Mota


6 de setembro de 2012

Escassez de água X Consumo de carne


Para conseguir alimentar mais dois mil milhões de pessoas no planeta em 2050 com a água que existe, a dieta alimentar ocidental vai ter de mudar radicalmente, prevê o relatório de cientistas do Instituto Internacional da Água de Estocolmo, divulgado na abertura da Conferência da Semana Mundial da Água.


Citado pelo jornal inglês Guardian, este relatório liderado pela cientista Malin Falkenmark, conclui que "não vai haver água nas plantações que seja suficiente para a população esperada de nove mil milhões de pesoas em 2050, se continuarmos a seguir as atuais tendências e mudanças na alimentação que são comuns aos países ocidentais".

O relatório prevê que nessa altura "só haverá água suficiente se a proporção de produtos alimentares de origem animal for limitada a 5% do total das calorias e se os consideráveis défices de água regionais tiverem resposta ao nível de um sistema de comércio alimentar de confiança". Hoje em dia, cerca de 20% das proteínas na alimentação humana são de origem animal, o que obrigaria a uma alteração substancial do regime alimentar nos próximos 40 anos.

"Com 70% do total de água disponível a ser canalizado para a agricultura, produzir mais comida para alimentar mais dois mil milhões de pessoas em 2050 vai aumentar a pressão na água e terra disponíveis", acrescenta o relatório, que recorda que "900 milhões de pessoas já estão a sofrer a fome e dois mil milhões estão mal nutridas, isto apesar da produção alimentar per capita continuar a aumentar".

"As Nações Unidas prevêem que temos de aumentar a produção alimentar em 70% em meados do século. Isto vai pressionar ainda mais nos nossos recursos de água que hoje já estão sob pressão, numa altura em que temos de canalizar mais água para satisfazer a procura crescente de energia – cujo crescimento esperado nos próximos 30 anos é de 60% – e gerar eletricidade para os 1300 milhões de pessoas que não a têm hoje", explica este relatório citado pelo Guardian.

O estudo é revelado numa altura em que as Nações Unidas discutem a preparação para a segunda crise alimentar no espaço de cinco anos. As secas registadas nos Estados Unidos e na Rússia, aliada às fracas monções asiáticas e à especulação financeira sobre matérias-primas alimentares, estão a fazer disparar os preços do trigo e do milho e os países mais afetados serão os que mais dependem da importação dessas matérias-primas. Em 2008, uma situação semelhante fez regressar a fome a várias regiões do planeta, tendo ocorrido motins em dezenas de países.

Fonte
Por Nathalia Mota

23 de agosto de 2012

"Animais deveriam estar fora do menu"



Nunca é demais demonstrar o que as pessoas insistem em negar: direitos humanos e direitos dos animais são duas faces de uma mesma e única moeda: a vida.
Philip Wollen, ex vice-presidente do Citibank, faz um apelo emocionante pelos animais, pedindo às pessoas que deixem de se alimentar deles.

Por Nathalia Mota

11 de agosto de 2012

V.I.D.A. Indica: "Educação Vegana: Tópicos de direitos animais no ensino médio"


Recomendamos o livro “Educação Vegana: tópicos de direitos animais no ensino médio”, do educador vegano e colunista da ANDA, Leon Denis. Trata-se da primeira obra de educação vegana do mundo.

Essa obra versa sobre um tema novo no Brasil: os direitos animais e sua prática, o modo de vida vegano. Cada capítulo é sobre um conceito fundamental para que os jovens alunos entendam do que tratam os direitos animais. Eles são: especismo, senciência, comunidade moral, direitos morais, ideologia, alienação, veganismo, somatofobia, abolicionismo e ética.

Segundo Leon Denis “a educação vegana é a ruptura com um ensino reprodutor e legitimador de um ideal de justiça restrito e excludente, de um ideal de igualdade fechado e espelhado nos possuidores da posse plena da razão, consciência de si e linguagem nos moldes Homo sapiens como apregoado pela filosofia moral tradicional. A educação vegana é o ensino do respeito a todos os animais sencientes, humanos e não-humanos, e não menos, aos ecossistemas naturais”.

Um dos grandes nomes do movimento de direitos animais no país, o promotor Laerte F. Levai, assim se refere ao educador e sua obra:

“Em sua salutar proposta de fazer o aluno pensar criticamente para depois agir, com o discurso voltado todo ele em favor dos seres vulneráveis ou oprimidos, o professor Leon torna-se, assim, uma referencia no magistério de ensino formal brasileiro. Como pensador e ativista pelos direitos animais, Leon Denis colabora para causa com ações e publicações. Mas, no fundo, o que ele mais gosta é dar aulas. Junto de seus alunos e alunas o sonho de um dia mudar as coisas ganha asas. Por isso ele escreveu ‘Educação Vegana – tópicos de direitos animais no ensino médio’: porque acredita em transformações. Utopia ou realidade, não importa, a mensagem contida neste livro revela em si uma das mais belas missões do professor”.

Recomendado à todos de todas às licenciaturas!

Como adquirir:
A obra pode ser adquirida pelo email leondenisf@yahoo.com.br. Para quem reside em São Paulo, o livro pode ser comprado na loja Arte Vegan, localizada na Avenida São João, 439 – 3º andar – Loja 429 – Galeria do Rock. Horário de funcionamento – de 2ª a sábado, das 10h às 18h.
Nota: o preço do exemplar é de R$25,00 + postagem.

Por Willian Santos 

26 de julho de 2012

O rodeio como um todo: do show as práticas de tortura

     A todo o momento nos confrontamos com uma decisão de afirmarmos nossos valores, valores que envolvem e nos trazem o indício de quem somos. O que somos e o que temos para oferecer não é um problema exclusivamente nosso, como muitos pensam, mas pelo contrário, a partir do momento em que vivemos em sociedade nossa forma de agir e, portanto, de ser, influencia diretamente a vida dos outros, sejam elas pessoas ou animais. Simples escolhas determinam uma reação em cadeia que interferem direta e indiretamente na vida dos outros, para o bem e para o mal, para a paz e para o martírio. Mas aonde uma simples escolha de ir ao rodeio se encaixa nisso tudo?

     Vejamos, todo rodeio existe por apresentar uma atividade extremamente rentável a quem organiza, a quem patrocina e que, portanto, investe neste evento. O rodeio como um evento não é uma novidade a ninguém. Todos sabem no que consiste tal prática, como uma competição "esportiva" na qual uma pessoa (o peão) deve permanecer um maior período de tempo possível em cima de um animal (normalmente boi ou cavalo) a pular incessantemente. O que muitos não sabem é o que fazem para o animal pular e correr desta maneira, ele não faz porque há alguém montado em suas costas, faz por sentir dor, por está estressado, por ser torturado. A partir disso, retiramos a ótica do rodeio como prática esportiva e analisamos como um evento de tortura, onde os torturados são os animais que não tem voz, nem conseguem fazer denúncias ou reclamarem por seus direitos.

     Precisamos compreender o rodeio como uma prática de tortura, mas só isto não é o suficiente. Há nos rodeios de hoje em dia, inclusive nos que ocorreram e nos que irão ocorrer ainda nesse ano, a prática de aliar o evento da tortura (aqui já mencionado) com um show musical. O show musical normalmente recheado de cantores famosos com grande repercussão nacional, onde são lançados de formas bombásticas pela mídia, alcançando o sucesso e a fama, e, conseqüentemente, a idolatria de uma parcela grande da população, fazem um show no rodeio e atraem maciçamente as pessoas para o evento.

     Muitas pessoas não gostam do rodeio como a prática “esportiva” em que tortura os animais, mas vão simples e exclusivamente por causa dos shows, do cantor ou cantora na qual os tem como ídolos. É importante ressaltar que a prática de tortura não está em momento algum desassociada do evento musical, os dois se coligiram para um mesmo ponto, formando um todo. Ir ao rodeio significa, sejam elas quais forem as intenções, aceitar e comungar com a idéia de estar financiando o evento como um todo, tanto o show musical como a prática “esportiva” de tortura aos animais. Isso nos abre a mente, e abrir a mente significa nos desprendermos de um mundo pequeno e ultrapassado, para enxergarmos o que realmente acontece, um evento que se apropria de um show musical para atrair pessoas e repercussões, portanto patrocínios e investimentos financeiros, no qual possibilitam a manutenção de um evento “esportivo” dito “cultural”, na qual os que são sempre prejudicados e os que sempre sofrem são os animais.

     Devemos nos fazer a seguinte pergunta: Vale a pena ir ao rodeio para ver um show de algum cantor(a) e assim financiar a continuidade da tortura aos animais? Reafirmo a questão dos valores como no princípio do texto reintegrando a frase que escrevi na qual abri meu pensamento: “A todo o momento nos confrontamos com uma decisão de afirmarmos nossos valores, valores que envolvem e nos trazem o indício de quem somos.” O valor de ser humano implica em nos sentirmos superiores ao ponto de acharmos que nossos desejos e vontades devem ser realizados independentemente se algum animal irá sofrer por isso? Os animais devem deter o direito de viverem em paz, sem passarem por tortura, maus-tratos, martírios, na qual nós seres humanos nunca desejaríamos passar? Gostaríamos de passar pelo que eles passam? As respostas vêm segundo os valores de cada um.

                                                                                                (Seja humano, não vá ao rodeio)
   

Por Piracicaba contra rodeio – escrito pelo ativista Guilherme.


Mais informações aqui!
Por Nathalia Mota


3 de junho de 2012

Dicas pra se tornar vegano


Pensando em virar vegano? Aqui vão algumas dicas pra fazer a transição com sucesso e, de quebra, ganhar muita saúde.
É importante ressaltar que esses passos são alguns modos de realizar a transição para o veganismo, e que, então, existem outras formas.
Fonte: VerdeTiras

1- Adicione primeiro, subtraia depois.

Ao invés de começar cortando coisas do seu cardápio, adote uma estratégia diferente: comece adicionando novos alimentos. Sό quando sua alimentação estiver bem variada, com vários legumes, frutas e grãos diferentes, passe  à etapa seguinte que é:

2-Diminua progressivamente o consumo de alimentos de origem animal.

Passe a comer carne sό uma vez por semana. Pare de comer queijo diariamente. Comece misturando o leite de soja a outros alimentos que você gosta ( vitamina de frutas) pro seu organismo ir se acostumando. Troque a manteiga por uma margarina vegetal (não hidrogenada). Mas vá com calma, cada passo de uma vez. O ideal é que a mudança seja feita de maneira suave, assim seu corpo não terá problema em se adaptar ao novo regime e você nem sentirá falta dos alimentos que for eliminando do cardápio.

3- A medida que for diminuindo o consumo de alimentos de origem animal, aumente os de origem vegetal.

Aumente ainda mais a quantidade de vegetais da sua dieta. Coma legumes refogados/gratinados no almoço, como prato principal. Capriche nas saladas cruas (bem mais do que alface e tomate). Coma mais frutas. Agora é o momento certo de experimentar substitutos vegetais dos produtos de origem animal que você tinha costume de comer. Encontre um patê de soja que você goste e use no lugar do requeijão. Prove iogurte e creme de soja. Compre (ou faça em casa) hamburgers vegetais.

4- Pense nos pratos veganos que você já está acostumado a comer.

Ao invés de pensar em tudo que você não vai mais poder comer tente lembrar de pratos conhecidos e apreciados por todos que são naturalmente veganos. Cuscuz, tapioca, feijão, macarrão com molho de tomate, sopa de legumes… Não precisa procurar receitas exόticas pra ter um regime vegano.

5- Veganize seus pratos preferidos.

Com algumas adaptações é possivel transformar qualquer prato onívoro em prato vegano. Proteína de soja pode substituir a carne em lasanhas, macarronadas, quibes. Seitan (“carne” de glúten) dá um όtimo estrogonofe. Tofu mexido pode ser mais gostoso que ovos mexidos. Castanha e feijão podem ser a base de deliciosos “hamburgers”. Creme de castanha de caju é tão parecido com creme de leite que ninguém vai notar a diferença. Com um pouco de motivação e criatividade você vai criar receitas melhores que as originais.

6- Troque os cereais refinados pelos integrais.

Muitas pessoas acham que se não comerem carne no almoço ficarão com a sensação de estômago vazio e logo, logo voltarão a ter fome. Prefira arroz integral, pão integral, macarrão integral e cereais integrais em geral. Eles são muito mais nutritivos que os refinados/brancos e, por ter mais fibras, vão dar a sensação de saciedade que o seu corpo precisa.

7- Capriche na vitamina C durante as refeições.

A vitamina C estimula a absorção do ferro no organismo. Comendo uma fonte de vitamina C junto com o feijão com arroz de todo dia você tem a garantia que seu corpo vai aproveitar ao máximo esse mineral. Tempere a salada com limão, tome suco fresco de laranja com as refeições ou coma uma mexerica de sobremesa. E lembre-se que pimentão, repolho e couve cru também são boas fontes de vitamina C.

8- Inclua oleaginosas no seu cardápio diário.

Castanha de caju, castanha do Pará, amêndoas, amendoim e nozes são super alimentos, ricos em minerais, vitaminas, proteínas e anti-oxidantes. Os nutricionistas recomendam o consumo diário de 10 unidades. Embora sejam calόricas, é um mito achar que elas fazem mal. A gordura presente nas oleaginosas é a gordura boa que luta contra o colesterol e faz bem ao coração e tirando os alimentos super calόricos e gordurosos (carne, queijo, creme, etc) da sua alimentação, sobra espaço de sobra pra incluir oleaginosas sem aumentar o número de calorias ingeridas.

9- Coma semente de linhaça todos os dias.

Linhaça é uma excelente fonte de omega 3 e 6, nutrientes essenciais a saúde e que muita gente acredita que sό são encontrados nos peixes. Duas colheres de café de linhaça moída (farinha de linhaça) tem a quantidade de omega 3 e 6 que você precisa por dia. De quebra você ainda ganha um bônus: muitas, muitas fibras.

10-Aprenda a cozinhar.

Infelizmente ainda é difícil, e caro,  comer fora quando se é vegano. Em muitas cidades restaurautes veganos nem sequer existem. Se você  não quiser passar fome vai ter que aprender a se virar na cozinha.  Pros que já sabem cozinhar: aprendam a cozinhar pratos veganos. Estamos tão acostumados a preparar (e comer) pratos onívoros que ao se tornar veganas a maioria das pessoas fica sem saber o que fazer pra comer. Isso é muito perigoso. Ninguém gosta de comida insípida e monόtona e isso pode acabar espantando possíveis vegetarianos/veganos. Aprender novas maneiras de cozinhar significa ter a garantia de desfrutar de uma comida sempre saborosa e nutritiva.

11-Descubra novos alimentos.

Ser vegano não se resume a uma longa lista de alimentos que você NÃO PODE COMER. Muitos ficariam surpresos ao descobrir a grande quantidade de alimentos que PODEMOS COMER. Virar vegana foi como descobrir um mundo novo, cheio de alimentos que eu nem sabia que existia. Dê uma voltinha em uma feira de frutas e verduras ou pela seção de produtos naturais de um grande supermercado e você entenderá o que estou dizendo. Por isso a pergunta que escuto o tempo todo “mas o que é que você come?” me parece tão absurda.

12-Se informe.

Existem milhares de sites sobre veganismo. Você pode tirar suas dúvidas de nutrição aqui, pegar informações sobre os diversos aspectos da vida vegana aqui e aqui, militar pelos direitos dos animais  aqui, conhecer novos alimentos, compartilhar experiencias, achar muitas receitas vegetais…

13- Adote um regime vegano por 3 semanas e veja como você se sente.

Pouca gente está disposta a fazer mudanças radicais do dia pra noite, mas saber que é por um curto período torna isso menos assustador. Se você já está familiarizado com a dieta ovo-lacto vegetariana ou se, por razões éticas ou de saúde, você quer aderir imediatamente ao regime 100% vegetal, experimente esse desafio. Você ficará surpreso ao constatar que, passadas as duas primeiras semanas, se manter nesse regime será bem mais facil e natural. O segredo: nossos gostos são programados de acordo com o que comemos nas duas últimas semanas. Mudando o regime, muda-se também os gostos alimentares.

14- Seja paciente, saiba se perdoar e não desista.

Quase ninguém se tornou vegano do dia pra noite. Fazer uma transição lenta e consciente é essencial pra manter a saúde e pra que essa escolha seja duradoura na sua vida. Se hoje você não resistiu ao pedaço de queijo, respire fundo e prometa que amanhã você se esforçará mais. Ficar se culpando por eventuais “recaídas” é inútil. Mudar de regime alimentar não é fácil e requer perseverança. Se não deu pra ser 100% vegano hoje, haverá sempre a possibilidade de recomeçar tudo amanhã. O importante é não desistir.

15-Faça o que estiver ao seu alcance.

Cada passo dado no caminho de uma alimentação mais ética, ecolόgica e saudável conta. Acha impossível se tornar vegetariano, muito menos vegano? Não faz mal, contanto que você não deixe de fazer o que estiver ao seu alcance. Comer carne uma vez por semana, por exemplo, é melhor do que todos os dias. O esforço de cada um, mesmo pequeno, é importante e somado ao esforço dos outros faz uma grande diferença no final.

Fonte
Por Nathalia Mota