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20 de julho de 2013

O Planeta Terra é Você: vídeo sobre nós, os animais e o meio ambiente


Um vídeo criado pelo músico mexicano Carlos Chavira vem emocionando centenas e milhares de pessoas nas últimas semanas. Com apenas 4 minutos e 37 segundos, o filme tem como ponto forte seu texto, brilhantemente interpretado pelo próprio Carlos Chavira.



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Por Nathalia Mota

28 de abril de 2013

BRF, das marcas Sadia e Perdigão, envolvida em processo de R$ 500 milhões por danos ao meio ambiente e trabalho escravo



Matadouros: exploração animal, exploração humana e depredação do meio ambiente

A empresa BRF (Brasil Foods S/A) está novamente envolvida em um escândalo ambiental e social. Desta vez, a empresa que detém as marcas Sadia e Perdigão, entre outras, está sendo acusada de comprar animais criados em áreas de desmatamento ilegal e de colaborar com o trabalho escravo na pecuária.
Além da BRF, mais 25 frigoríficos estão no processo que pede, no total, mais de meio bilhão de reais em indenizações. As irregularidades são diversas, como fazendas em áreas indígenas, áreas gigantescas desmatadas ilegalmente para dar lugar a pastagens e trabalho escravo ou em condições análogas à da escravidão.

Estas são algumas das marcas envolvidas no escândalo (marcas da BRF)

Os maiores problemas foram apontados nos estados de Rondônia, Amazonas e Mato Grosso. Participam da ação o Ministério Público do Trabalho (MPT), o Ibama, o Ministério Público Federal e os Ministérios Públicos do Amazonas e de Rondônia.

Por Nathalia Mota

7 de novembro de 2012

A Engrenagem: um novo documentário



Idealizado por um ex-grande empresário da pecuária que se tornou vegetariano e ativista social, o curta “A Engrenagem” é uma peça única dentro das ferramentas de maior impacto na divulgação da filosofia de vida vegana. Muito bem produzido e com a participação voluntária do ator Eduardo Pires e da apresentadora Ellen Jabour, “A Engrenagem” promete abalar as estruturas da tal engrenagem, espalhando informações concisas e fundamentais sobre o consumo de produtos de origem animal.

O roteiro de Denise Tavares Gonçalves, a mesma que escreveu o “A Carne é Fraca”, grande sucesso do Instituto Nina Rosa, merece destaque dentro da obra. O texto de Denise realmente faz do “A Engrenagem” um documentário pequeno, completo e necessário.

Sinopse
A discussão sobre o veganismo e seus benefícios ao meio ambiente e ao futuro é extensa e muito mais complexa do que simplesmente parar de comer carne. Envolve a diminuição da poluição atmosférica, a preservação de recursos vegetais e hídricos, e muitas outras questões.
Numa linguagem descontraída, o filme tem a participação voluntária da modelo e apresentadora Ellen Jabour e do ator Eduardo Pires, ambos vegetarianos, e tem o objetivo de alertar e levantar algumas questões como “Você já se perguntou de onde vem nossa comida? Quais os impactos que ela nos traz?”. A Engrenagem responde.

Assista ao filme




Fonte
Por Nathalia Mota

28 de outubro de 2012

É ambientalista, mas come carne?


Um conjunto de fatos sobre o desmatamento e o consumo de carne e outros produtos de origem animal

Por Thiago Fonseca | Comer não é só uma questão de matar a fome. A decisão sobre que comida colocar no prato tem implicações econômicas, ambientais, éticas, culturais, fisiológicas, filosóficas, históricas, religiosas. Neste texto, abordaremos as implicações ambientais da decisão de comer carne.

Se todos fossem vegetarianos, é provável que não houvesse tanta fome no mundo. É que os rebanhos consomem boa parte dos recursos da Terra. Uma vaca, num único gole, bebe até 2 litros de água. Num dia, consome até 100 litros. Para produzir 1 quilo de carne, gastam-se 43.000 litros de água. Já um quilo de tomates custa ao planeta menos de 200 litros de água.

Sem falar que damos grande parte dos vegetais que produzimos aos animais. Um terço dos grãos produzidos no mundo vira comida de vaca. No Brasil, o gado quase não come grãos – graças ao clima, é criado solto e se alimenta de grama. Mas boa parte da nossa produção de soja, uma das maiores do mundo, é exportada para ser dada ao gado que está lá. Outra questão é que a pecuária bovina estimula a monocultura de grãos. Num mundo vegetariano, haveria lavouras mais diversificadas e teríamos muito mais recursos para combater a fome.

E não se trata só de comida. A pecuária esgota o planeta de outras formas. “Para começar, ocupa um quarto da área terrestre e não para de se expandir”, diz o ativista vegetariano Jeremy Rifkin. A pressão para a derrubada das florestas, inclusive a amazônica, vem em grande parte da necessidade de pasto. Entre os danos ambientais causados pelo gado, está também o aquecimento global.

As pessoas deveriam considerar comer menos carne como uma forma de combater o aquecimento global, segundo o principal cientista climático da Organização das Nações Unidas (ONU). Números da ONU sugerem que a produção de carne lança mais gases do efeito estufa na atmosfera do que o setor do transporte.

A Organização da ONU para Agricultura e Alimentos (FAO) estima que as emissões diretas da produção de carne correspondem a 18% do total mundial de emissões de gases do efeito estufa. Esse número inclui gases do efeito estufa liberados em todas as etapas do ciclo de produção da carne – abertura de pastos em florestas, fabricação e transporte de fertilizantes, queima de combustíveis fósseis em veículos de fazendas e emissões físicas de gado e rebanho. O transporte, em contraste, responde por apenas 13% da pegada de gases da humanidade, segundo o IPCC.

Pesquisas mostram que as pessoas estão ansiosas sobre suas pegadas de carbono e reduzindo as jornadas de carro, por exemplo, mas elas talvez não percebam que mudar o que está em seu prato pode ter um efeito ainda maior.

Parar de comer carne sempre foi a bandeira dos vegetarianos. Suas razões eram principalmente a saúde humana e os direitos dos animais. Hoje, o foco mudou. “Agora o meio ambiente pesa na decisão de não comer carne”, diz o biólogo Sérgio Greif, da Sociedade Vegetariana Brasileira.

Um dos mais expoentes adeptos da campanha por menos carne e mais florestas é o biólogo americano Edward Wilson, da Universidade Harvard. Segundo ele, só será possível alimentar a população mundial no fim do século se todos forem vegetarianos. “O raciocínio é matemático”, diz Greif. A produção de grãos de uma fazenda com 100 hectares pode alimentar 1.100 pessoas comendo soja, ou 2.500 com milho. Se a produção dessa área for usada para ração bovina ou pasto, a carne produzida alimentaria o equivalente a oito pessoas. A criação de frangos e porcos também afeta as florestas. Para alimentá-los, é necessário derrubar árvores para plantar soja e produzir ração. Mas, na relação custo-benefício entre espaço, recursos naturais e ganho calórico, o boi é o pior.

O gado tem sido considerado o grande vilão da Amazônia. Hoje, o Brasil mantém 195 milhões de bovinos. Há mais bois que pessoas. Cerca de 35% desse rebanho está na Amazônia. Para alimentar o gado, os pecuaristas desmataram uma área de 550 quilômetros quadrados, o equivalente ao estado de Minas Gerais. Criados livres no campo, sem ração, os bois precisam todo ano de novas áreas derrubadas para a formação de pasto.

A pecuária na região está ligada à ocupação irregular de terras públicas. As terras da região pertencem ao Estado e em sua maioria foram tomadas na forma de posse. “Sem ter de pagar pela terra, fica mais barato produzir lá que no Sul e no Sudeste”, diz Paulo Barreto, do Imazon. Para comprovar a posse da área tomada, o fazendeiro precisa mostrar que a terra é produtiva. “Para isso também servem os bois”, afirma Barreto.

Resultado de cinco meses de trabalho, os números de um estudo coordenado por Mercedes Bustamante, da Universidade de Brasília (UnB), Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e Roberto Smeraldi, da ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, mostram que, em 2005, a emissão de gases-estufa (GEE) da pecuária representou 48% do total brasileiro. A atividade emitiu 1,055 bilhão de toneladas de GEE sobre 2,203 bilhões do total nacional, número do tão esperado inventário brasileiro de emissões, divulgado só recentemente pelo Ministério da Ciência e Tecnologia.

“A diferença desse estudo em relação às abordagens estatísticas tradicionais é que elas dividem as emissões por categorias, e nossa abordagem é pela cadeia de um produto específico”, explicou Smeraldi. “Então ela é transversal, porque envolve uso da terra e fermentação entérica (basicamente, arroto de boi e vaca), por exemplo, processos que estão separados no inventário.”

Um quilo de carne industrializada significa 300 quilos de gás-estufa emitido, e esses 300 kg custam R$ 10 no mercado de carbono. Assim, é a primeira vez que a chamada “pegada de carbono” de um produto específico, no caso a carne bovina, é calculado. Pegada de carbono é a quantidade de gás-estufa liberada direta ou indiretamente por uma certa atividade. “O interessante desses dados é que eles podem começar a traduzir toda a situação para o consumidor, a dona de casa, o investidor”, comentou Smeraldi.

“Essa é a diferença de ter números sobre categorias e números sobre produtos: 1 quilo de carne industrializada significa 300 quilos de gás-estufa emitido, e esses 300 kg custam R$ 10 no mercado de carbono. É mais do que o custo da própria carne por quilo no atacado (o kg do dianteiro custa R$ 3,60; do traseiro, R$ 5,90)”, disse o especialista.

“Como investidor eu posso raciocinar que, se a carne tivesse que pagar o CO2 que emite, ficaria inviável. Por outro lado, se seguir boas práticas, posso reduzir uma barbaridade essa emissão e vender o CO2 poupado no mercado de emissões por um preço superior ao da carne. Frigorífico pode fazer mais dinheiro vendendo redução de carbono do que vendendo a própria carne.”

No topo absoluto da cadeia alimentar, os seres humanos se dão ao luxo de comer de tudo, mas a um preço elevado: a pesca maciça está levando as espécies marinhas à extinção, e a piscicultura polui a água, o solo e a atmosfera – o que precisa fazer com que mudemos de hábitos. Alimentar a humanidade – nove bilhões de indivíduos até 2050, segundo as previsões da ONU – exigirá uma adaptação de nosso comportamento.
Mesmo que seja fonte essencial de proteínas, a carne bovina não é “rentável” do ponto de vista alimentar: são necessárias três calorias vegetais para produzir uma caloria de carne de ave, sete para uma caloria de porco e nove para uma caloria bovina. Dessa maneira, mais de um terço (37%) da produção mundial de cereais serve para alimentar o gado – 56% nos países ricos – segundo o World Ressources Institute.

Seria o caso, então, de reduzir o consumo de carne e substituí-lo pelo peixe? Os oceanos não podem ser considerados uma despensa inesgotável, estimou Philippe Cury, diretor de pesquisas do Instituto de Pesquisas para o Desenvolvimento (IRD). O número de pescadores é duas a três vezes superior à capacidade de reconstituição das espécies. No atual ritmo, a totalidade das “espécies comerciais” haverá desaparecido em 2050.

A agricultura, particularmente produtos de carne e laticínios, é responsável pelo consumo de cerca de 70% da água doce do mundo, 38% do uso de terra e 19% das emissões de gases estufa. Espera-se que os impactos da agricultura cresçam substancialmente devido ao crescimento da população e o crescimento do consumo de produtos animais. Ao contrário dos combustíveis fósseis, é difícil produzir alternativas: as pessoas têm que comer. Uma redução substancial de impactos somente seria possível com uma mudança de dieta, eliminando produtos animais.

Um painel de especialistas categorizou produtos, recursos e atividades econômicas e de transporte de acordo com seus impactos ambientais. A agricultura se equiparou com o consumo de combustível fóssil porque ambos crescem rapidamente com o maior crescimento econômico. O professor Edgar Hertwich, principal autor do relatório, disse: “Produtos animais causam mais dano que produzir minerais de construção como areia e cimento, plásticos e metais. Biomassa e plantações para animais causam tanto dano quanto queimar combustíveis fósseis.”

A diminuição do consumo de carne e leite em todo o mundo levaria, até 2055, a uma redução de 80% das emissões de gases que agravam o efeito estufa no setor agropecuário. A conclusão é de um estudo divulgado pelo Instituto de Estudos das Mudanças Climáticas de Potsdam, na Alemanha.

O coordenador do estudo, Alexander Popp, afirma que “a carne e o leite podem realmente fazer a diferença”. A explicação, segundo ele, é que uma redução no consumo desses itens levaria a uma queda nas emissões de dois dos gases que mais agravam o aquecimento: o metano e o óxido de nitrogênio. Esses gases são lançados na atmosfera durante a fertilização dos campos agrícolas e na produção de ração para alimentar vacas, ovelhas e cabras, entre outros animais.

Dito isso, fica a pergunta: o que você quer fazer com o planeta? Cuidar dele ou devorá-lo?

REFERÊNCIAS
http://super.abril.com.br/superarquivo/2002/conteudo_120220.shtml
http://noticias.uol.com.br/bbc/reporter/2008/09/07/ult4909u5467.jhtm
http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/1,,EDG77074-6010,00.html
http://terramagazine.terra.com.br/blogdaamazonia/blog/2009/12/10/metade-das-emissoes-de-gases-de-efeito-estufa-do-brasil-vem-da-pecuaria/
http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI4281337-EI294,00-Terra+e+incapaz+de+acompanhar+ritmo+atual+de+consumo+de+carnes+e+pescado.html
http://www.guardian.co.uk/environment/2010/jun/02/un-report-meat-free-diet
http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,emissoes-estao-ligadas-a-consumo-de-carne-e-leite,573630,0.htm
http://www.greenpeace.org/brasil/Global/brasil/report/2011/11-08-26_An%C3%A1lise%20do%20aumento%20do%20desmatamento%20no%20MT.pdf

Por Nathália Mota

6 de setembro de 2012

Escassez de água X Consumo de carne


Para conseguir alimentar mais dois mil milhões de pessoas no planeta em 2050 com a água que existe, a dieta alimentar ocidental vai ter de mudar radicalmente, prevê o relatório de cientistas do Instituto Internacional da Água de Estocolmo, divulgado na abertura da Conferência da Semana Mundial da Água.


Citado pelo jornal inglês Guardian, este relatório liderado pela cientista Malin Falkenmark, conclui que "não vai haver água nas plantações que seja suficiente para a população esperada de nove mil milhões de pesoas em 2050, se continuarmos a seguir as atuais tendências e mudanças na alimentação que são comuns aos países ocidentais".

O relatório prevê que nessa altura "só haverá água suficiente se a proporção de produtos alimentares de origem animal for limitada a 5% do total das calorias e se os consideráveis défices de água regionais tiverem resposta ao nível de um sistema de comércio alimentar de confiança". Hoje em dia, cerca de 20% das proteínas na alimentação humana são de origem animal, o que obrigaria a uma alteração substancial do regime alimentar nos próximos 40 anos.

"Com 70% do total de água disponível a ser canalizado para a agricultura, produzir mais comida para alimentar mais dois mil milhões de pessoas em 2050 vai aumentar a pressão na água e terra disponíveis", acrescenta o relatório, que recorda que "900 milhões de pessoas já estão a sofrer a fome e dois mil milhões estão mal nutridas, isto apesar da produção alimentar per capita continuar a aumentar".

"As Nações Unidas prevêem que temos de aumentar a produção alimentar em 70% em meados do século. Isto vai pressionar ainda mais nos nossos recursos de água que hoje já estão sob pressão, numa altura em que temos de canalizar mais água para satisfazer a procura crescente de energia – cujo crescimento esperado nos próximos 30 anos é de 60% – e gerar eletricidade para os 1300 milhões de pessoas que não a têm hoje", explica este relatório citado pelo Guardian.

O estudo é revelado numa altura em que as Nações Unidas discutem a preparação para a segunda crise alimentar no espaço de cinco anos. As secas registadas nos Estados Unidos e na Rússia, aliada às fracas monções asiáticas e à especulação financeira sobre matérias-primas alimentares, estão a fazer disparar os preços do trigo e do milho e os países mais afetados serão os que mais dependem da importação dessas matérias-primas. Em 2008, uma situação semelhante fez regressar a fome a várias regiões do planeta, tendo ocorrido motins em dezenas de países.

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Por Nathalia Mota

23 de agosto de 2012

"Animais deveriam estar fora do menu"



Nunca é demais demonstrar o que as pessoas insistem em negar: direitos humanos e direitos dos animais são duas faces de uma mesma e única moeda: a vida.
Philip Wollen, ex vice-presidente do Citibank, faz um apelo emocionante pelos animais, pedindo às pessoas que deixem de se alimentar deles.

Por Nathalia Mota

31 de maio de 2012

Produzir 1 kg carne no Brasil gera tanto CO2 quanto rodar 1.600 km de carro


Brasil libera 335 kg do gás para criar alimento, enquanto Países Baixos geram 22 kg.

Do R7 | A produção de um quilo de carne bovina no Brasil pressupõe o gasto de 335 quilos de dióxido de carbono (CO2), exatamente a mesma quantidade consumida em uma viagem de 1.600 quilômetros em um automóvel europeu médio.

Especialistas da Áustria e Holanda chegaram a essa conclusão em um recente estudo, cujos resultados foram divulgados nesta quinta-feira (24) pela agência APA.

No caso da carne de vaca produzida nos Países Baixos, um quilo equivale a 111 quilômetros de automóvel, pois nas duas situações o CO2 emitido é de 22 quilogramas.

Kurt Schmidinger, da Universidade de Viena, e Elke Stehfest, da agência PBL Netherlands Environmental Assessment Agency, desenvolveram um sistema especial para fazer estabelecer o custo climático dos alimentos.

A maior inovação nestes cálculos é que, além das emissões na produção dos alimentos, o estudo também contabiliza a superfície do pasto para os animais, um fator ignorado até agora, apesar de ser considerado central para a mudança climática.

A razão é que os gramados de grandes superfícies impedem o desenvolvimento de florestas e plantas naturais, que por sua vez atuam absorvendo CO2 da atmosfera, o que combate o efeito estufa.

Segundo os especialistas, a produção de alimentos vegetais é a menos nociva para o meio ambiente.

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Por Nathalia Mota

2 de março de 2012


Por Willian Santos

24 de outubro de 2011


POR UMA GEOGRAFIA NÃO ESPECISTA


Discutimos no curso de Geografia: a humanidade é também natureza. Tudo faz parte da natureza. Discutimos também: vivemos em um modo de produção onde a humanidade é explorada por uma minoria de seus próprios integrantes. Comentamos: o “meio-ambiente” é explorado também neste processo. Mas não discutimos: o mesmo processo que explora humanos e o que eles consideram ser “recursos naturais” explora também outros animais não humanos, que possuem, em semelhança ao humano, a capacidade de sentir dor, incomodo, prazer e desprazer. E mais: não possuem apenas sensibilidade, mas também certa consciência destas sensações: são sencientes. Assim, tais animais sofrem atrocidades inenarráveis. Bilhões deles, constantemente. Um número gigante de atrocidades, de imposição de dor, desconforto, separação da família, do convívio social padrão de sua espécie, de seus comportamentos comuns, torturados, manipulados, debicados, engaiolados, enjaulados, acorrentados, adestrados, isolados, paralisados, testados, pendurados e assassinados. Tratados como coisas, como se seres vivos, indivíduos de outras espécies, pudessem ser propriedade de outros. Isto se chama escravidão.
Como coisas, propriedades de humanos, como qualquer outra coisa, no modo de produção capitalista, são apenas peças. Não possuem mais valor do que uma máquina qualquer (por exemplo: onde se coloca ração de soja e se tira carne muito mais cara). Não se considera a senciência dos animais, seus próprios interesses e vontades. É um crime absurdo que a maioria de nós é cúmplice no mínimo 3 vezes ao dia e, ainda, quando nos vestimos, consumimos cosméticos, medicamentos e mais um número incontável de produtos.

Proponho, por ora, duas questões:
1) Questionar movimentos chamados ambientalistas que não rompem com o modo de produção capitalista (ou não fazem uma crítica radical a ele) ou com qualquer modelo de mundo baseado no desenvolvimento industrial e na centralização de poderes. A exploração e a destruição de uma floresta ou uma espécie qualquer é parte do mesmo processo que explora um trabalhador em uma fábrica. É esse modelo de produção e consumo que está aí imposto para nós o responsável tanto pela destruição direta da natureza (e inclui-se aí a humanidade e os outros animais), quanto pela destruição ideológica que atinge cada vez mais profundamente a humanidade, fazendo-nos agir do modo mais brutal, egoísta, consumista e alienado (em todos os sentidos) possíveis.
2) A produção do conhecimento (no nosso caso, da Geografia) deve iniciar a reflexão sobre a existência dos animais não humanos não apenas como elementos dos chamados “recursos naturais”, mas como seres capazes de sentir e de ter consciência deste sentir. Esse fato – a senciência – deve estar presente em nossos juízos éticos e, portanto, em nossa produção científica.
Os animais possuem o mesmo direito que os humanos de viver em liberdade e em lugares adequados, limpos, diversos, e de fazer aquilo que costumam fazer como membros de suas espécies. Não deveriam ser vistos, nas pesquisas geográficas, como recursos econômicos, meios de transporte, alimento, etc., ou seja, como propriedade.
Não tratar os animais com o devido respeito só por não fazerem parte de nossa espécie possui já (desde a década de 1970) um nome: especismo. Esse termo foi criado com base em termos como sexismo ou racismo. O princípio é o mesmo: achamos que não devemos respeitar um grupo de seres pelo simples fato de não fazerem parte de nosso sexo, de nossa raça ou de nossa espécie. Não há como justificar eticamente estas escolhas. Se já sabemos da senciência dos seres, de suas riquíssimas vidas e comportamentos, não há como justificar a continuidade das fazendas-fábricas, das gaiolas, zoológicos, biotérios (aqui na PUC há um!), dos testes crudelíssimos de produtos e substâncias em seus organismos, dos testes psicológicos, etc.
Da mesma forma, não podemos permitir que se faça uma Geografia (e qualquer ciência) que não considere os animais do modo apropriado, que não os veja, como aos humanos, como seres complexos e oprimidos, sofrendo nas mãos de carrascos.
A luta contra o especismo é uma luta abolicionista, cuja particularidade é que os segregados e explorados não possuem voz para falarem por si mesmos.

É preciso considerar os animais e seus LUGARES tanto quando aos humanos e seus LUGARES. Novas coexistências, novas geograficidades...

Dennis Zagha Bluwol

Dennis Zagha Bluwol é mestre em Geografia. Possui como interesses principais: a geograficidade da existência humana em ambientes urbanos, os conceitos de natureza, as características de nosso modelo de civilização e do modo de produção capitalista, possíveis modos de organização social e de relação com o resto da natureza e Permacultura. Foi coordenador do antigo grupo São Paulo da Sociedade Vegetariana Brasileira.

Por Willian Santos

21 de julho de 2011

A insustentabilidade da produção de carne


(...) Este artigo é mais um depoimento pessoal e informações colhidas no relatório da FAO (Organização das Nações Unidas para a agricultura e alimentação) intitulado e traduzido para o português como “A Sombra da Pecuária”, e vem demonstrar o custo ambiental da produção de carne.
Para aqueles, que como eu são apaixonados pela vida, o consumo de carne já feria de muitas formas, e somado ao que é preciso destruir, ambientalmente falando, para manter o sistema industrial de carne produzindo e em plena ascensão, acredito que está na hora de agirmos com responsabilidade e de acordo com o conhecimento que chega até nós.
O setor de criação de animais cresce como um dos três mais significativos contribuintes para os mais sérios problemas ambientais, em todas as escalas, da local para global. Os resultados da pesquisa da FAO mostram que deveriam existir mais políticas direcionadas para os problemas ligados a degradação da terra, mudanças climáticas, poluição do ar, escassez e poluição das águas e perda da biodiversidade, do que políticas de que impulsionem o desenvolvimento da pecuária, principalmente na América do Sul, onde os desmatamentos para pasto e produção de alimentos para animais estão a todo vapor.
Segundo o biólogo americano Edward Wilson, da Universidade Harvard, só será possível alimentar a população mundial no fim do século, estimada em 10 bilhões de pessoas, se todos forem vegetarianos. A produção de grãos de uma fazenda com 100 hectares pode alimentar 1.100 pessoas comendo soja, ou 2.500 com milho. Se a produção dessa área for usada para ração bovina ou pasto, a carne produzida alimentaria o equivalente a oito pessoas. A criação de frangos e porcos também afeta as florestas. Para alimentar esses animais, é necessário derrubar árvores para plantar soja e produzir ração. Mas, na relação custo-benefício entre espaço, recursos naturais e ganho calórico, o boi é o pior. Para cada 900 kg de alimento produzido, se produz apenas 1 kg de carne.
Apesar de não ser economicamente o principal ator global, o setor de produção de carne é socialmente e politicamente muito significante, emprega 1.3 bilhões de pessoas e cria a subsistência para um milhão de pessoas pobres no mundo. A criação de animais é responsável por um terço da proteína consumida pela população mundial.
O aumento da população e da renda, junto com uma mudança de hábitos alimentares, está rapidamente aumentando a demanda para a produção de carne, enquanto a globalização está estimulando o comércio de produção de carne em fornecimento e produtos. A produção de carne está projetada para mais que o dobro de 229 milhões de toneladas em 1999/2001 para 465 milhões de toneladas em 2050, e o leite de 580 para 1043 milhões de toneladas. O impacto ambiental por unidade da criação de animais para produção precisa ser cortado pela metade, apenas para evitar o aumento do nível de danos além do que já está prejudicado hoje.
O custo ambiental para nutrição desses animais que vão parar na mesa do consumidor carnívoro é muito alto.
Os três fatores unidos: ocupação territorial desmedida para a agricultura, criação de animais para o consumo e a alimentação desses animais são as maiores causadoras de desflorestamento no mundo, 70% das antigas áreas com florestas na Amazônia são ocupadas hoje com pastos.
Os efeitos desse desmatamento são:
- perda de habitats naturais
- extinção de espécies
- degradação ou erosão dos solos
- efeitos hídricos, aumento de inundações
- problemas na viabilidade de recursos hídricos com menos tamponamento florestal
- desmatamento em larga escala pode causar a morte de ainda mais florestas
- queda das chuvas em áreas de plantio no leste do Brasil (uma vez que as nuvens/chuvas são produzidas sobre a floresta tropical amazônica).
O setor de produção de carne é o maior agente transformador da terra. A área total ocupada por pastos é equivalente a 26% da superfície terrestre, não contando com as áreas ocupadas pelas geleiras. Em adição, a área total dedicada à safra para produção de alimentos para estes animais totaliza uma porção de 33% do total da área agricultável do planeta.
E estas áreas têm sido extremamente degradadas devido a não rotatividade de pastos, compactação e erosão criadas em conseqüência da atividade.
Com as temperaturas subindo, o nível do mar subindo, as geleiras derretendo, mudanças de correntes marítimas; as mudanças climáticas são o mais sério desafio enfrentado pelo planeta.
O setor de produção de carne é responsável por 18% das emissões de gás de efeito estufa. Isto significa mais emissões do que as produzidas pelo setor de transporte. Este alto nível de emissão de CO2 vem grande parte do uso da terra, especialmente do desflorestamento, causado pela expansão dos pastos e terras aráveis para a produção de alimentação para o rebanho. Além disso, o setor é responsável pela emissão de 37% do metano (23 vezes mais prejudicial do que o CO2), que ocorre devido à fermentação produzida pelos ruminantes. O setor também é responsável por 65% da produção de nitróxido de oxigênio, 64% das emissões de amônia derivada da atividade humana, o que contribui seriamente para as chuvas ácidas.
Além disso, mundo também esta caminhando para um futuro com sérios problemas de abastecimento de água, isto já é uma realidade em alguns países do mundo. É esperado que 64% da população mundial tenham algum problema com abastecimento de água potável em 2025.
O setor de produção de carne é um dos principais atores com relação ao aumento do uso da água, mais de 8% do uso global de água, grande parte para irrigação de áreas para a produção de alimentos para rebanho. E provavelmente o setor que mais contribui para a poluição das águas, contribuindo para eutrofização, morte de zonas costeiras, degradação de recifes de corais, problemas para saúde humana e muitos outros. Os grandes tipos de poluição vêm dos desperdícios dos animais, antibióticos e hormônios, químicos oriundos dos curtumes, fertilizantes e pesticidas usados na produção de alimentos para os animais e sedimentos oriundos de pastos erosivos. Nos EUA estima-se que os animais criados para consumo são responsáveis por 55% da erosão e sedimentação, 37% do uso de pesticida, 50% do uso de antibiótico e nitrogênio e fósforo jogados na água.
A produção de carne também afeta o reabastecimento de água potável: compactando o solo, reduzindo a infiltração, degradação de cursos de água, entre outros.
A perda de biodiversidade é outro fator de grande preocupação. Estima-se que esta perda está entre 50 a 500 vezes maior do que era no passado, segundo estimativa encontrada em fósseis. Dos 24 serviços ecossistêmicos 15 estão em declínio. A biomassa animal oriunda dos animais de produção representam 20% da biomassa animal no planeta, e 30% da terra habitada pela criação industrial fora antes habitat natural da vida selvagem.
Esta atividade é a líder em redução da biodiversidade, pois a mesma se concretiza por meio de desflorestamento, também é a atividade líder em degradação do solo, poluição, mudanças climáticas, sedimentação de áreas costeiras, entre outros prejuízos a ambientais.
Com todos esses dados, com esse conhecimento adquirido sobre o sistema industrial de produção de carne, é preciso rever antigos padrões, não há como continuarmos com este estilo de vida de consumo excessivo, o planeta não irá suportar essa carga. Por isso é necessário fazermos essa pergunta: o que de fato precisamos para viver, esse tipo de consumo desenfreando e sem consciência é necessário?
O mundo, infelizmente, não vai se tornar vegetariano de uma hora para outra, mas a consciência do que está acontecendo precisa existir, e a partir disso traçar uma caminhada mais amena, sustentável e menos cruel com os animais no mundo.
Existe uma iniciativa mundial para difundir a diminuição no consumo de carne chamada “Meat Free Monday”, tradução SEGUNDA SEM CARNE, que nasceu na Bélgica e já possuiu muitos adeptos em todo o mundo, o lançamento da campanha no Brasil foi em 2009, e a cada dia mais pessoas, empresas e municípios aderem a segunda sem carne.
Que movimentos como este sejam crescentes e que a cada dia mais pessoas peguem a sua parcela da responsabilidade pelos fatos insustentáveis (ambientais) e cruéis que existem no mundo, assim quem sabe, chegará o dia em que comer carne seja a exceção e não a regra.
Fonte - Antoniana Ottoni
Por Nathália Mota