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9 de janeiro de 2013

Vídeo: Os perigos do Leite, Queijo e Laticínios

Ótimo vídeo técnico sobre os perigos de uma alimentação com laticínios:
-  O que a indústria de laticínios diz e não diz para que a população continue a consumir seus produtos?
- O mito do leite e suas proteínas
- O mito do cálcio e fortalecimento dos ossos
- E muito mais.

Segue algumas das frases marcantes dessa palestra que todos deveriam assistir para repensar seus hábitos:

"Os padrões foram publicados em 1993: você não pode ter mais de 700.000 células de pus em 10 mL de leite, e 24 mil bactérias."


"O vírus de leucemia bovina foi classificado no mesmo grupo que no vírus humano T-cell Leucemia, que é sabido causar linfomas e leucemias em pessoas, com a mesma classificação"

 "A estrutura genética da imunodeficiência bovina é muito parecido com o HIV humano, no qual eles não sabem diferenciar um do outro por serem tão parecidos."

"A pasteurização mata muitos micro-organismos mas não é infalível"



Por Nathália Mota

22 de outubro de 2012

O que é um VEGANO?




Veganismo é uma opção de vida de pessoas que por razões éticas (relacionadas ao respeito aos direitos animais) prescindem do uso de qualquer produto de origem animal na sua vida cotidiana.
Simplificando: Um vegano é uma pessoa que não apenas diz que ama os animais.

O que um vegano não faz:
* Um vegano não come nenhum produto de origem animal. Sim, isso inclui frango, peixe, leite, ovos, gelatina, cochonilha (Você sabia que usam esses insetos na sua comida?)…
* Um vegano não usa roupas feitas com couro, peles, lã, seda…
* Um vegano busca boicotar empresas que façam testes com animais.
* Um vegano não vai a circos, zoológico, touradas, rodeios ou qualquer forma de entretenimento que utilize animais.
* Um vegano não compra animais de estimação, afinal, amigos não se compram.

O que um vegano não é:
* Como os direitos animais são uma evolução dos direitos humanos, um vegano não é racista, machista, xenófobo ou homofóbico.
* Um vegano não é um hippie natureba.
* Um vegano não é um neurótico por saúde que fica contando calorias. Veganos não estão “de dieta”.
* Um vegano não é uma pessoa desequilibrada que busca utlizar os animais por ter péssimas relações com outros humanos.

Mas afinal o que os veganos são?
* Os veganos são advogados, médicos, filósofos, antropólogos, biólogos, físicos, engenheiros, designers, estudantes, desempregados, empresários…
* Os veganos são pessoas pacíficas, pois defendem os Direitos Humanos, assim como os Direitos Animais.
* Os veganos podem ter qualquer religião, qualquer credo, qualquer orientação sexual, qualquer estilo.
* Os veganos, assim como você, são pessoas muito preocupadas com o aquecimento global, com a violência, com a pobreza, com a falta de empregos e com as crianças de rua.

E o que eles podem fazer?
* Veganos podem comer todos os alimentos de origem vegetal – cereais, frutas, legumes e verduras – e cogumelos.
* Veganos podem comer fast-food, tomar refrí, comprar alimentos industrializados ou mesmo transgênicos. Mas, é claro, veganos adoram discutir essas questões e sempre têm uma opinião formada.
* Veganos podem beber! Ah, a não ser aquela tequila com vermes.
* Veganos podem fazer sexo. (E com uma vantagem: a super dieta afrodisíaca vegana).
* Veganos podem ir ao cinema, ao teatro, a parques, museus…
* Veganos podem adotar animais, devem esterilizá-los e dar a eles muito amor e proteção.

Por que devo ser vegano?
A decisão de se tornar vegano não precisa ocorrer da noite para o dia (é ótimo quando ocorre): ela pode começar com uma possibilidade, ir amadurecendo e enfim se concretizar.
Se quero assumir uma postura de respeito aos animais, não há outro caminho. Assim, a decisão de se tornar vegano começa com uma tomada de consciência: é moralmente errado explorar os animais (independentemente de se com ou sem dor).
Tornamo-nos veganos quando nos damos conta de que é errado pensar e agir como se os animais fossem nossa propriedade. Onde se legitimaria esse pressuposto de que animais são produtos a nosso dispor?
Devo ser vegano se entender que é uma obrigação moral não usar os animais, sendo assim o veganismo a única opção ética de quem se deu conta de que os animais não nos pertencem.

Uma pequena introdução aos Direitos Animais:
* Animais não-humanos também sentem dor, possuindo todos os mecanismos biológicos para tanto e a expressam de forma muito
* Animais não-humanos sentem stress da mesma forma que nós quando privados de sua liberdade, e em geral, animais em seu meio ambiente necessitam de grandes espaços para se locomover, caçar, voar, nadar, montar tocas e criar suas famílias.
* Animais não-humanos também gostam de conforto.
* Grande parte dos animais não-humanos também possuem famílias, e muitos dão tanto valor à estas quanto nós. A privação decorrente da separação de mães e filhos é extremamente dolorosa para eles.
* Animais também gostam de trabalhar e são extremamente engenhosos, basta ver o joão-de-barro, as formigas e o incrível trabalho do castor.
* Animais também gostam de se comunicar. Apesar de não compreendermos, a comunicação não é feita apenas pela linguagem humana. Golfinhos são capazes de dar nomes à seus semelhantes.
* Animais também gostam de pensar e de jogar. Para os animais carnívoros, a caça é um jogo que os une. Porcos são capazes de operar joysticks. Gorilas e chimpanzes são capazes de se comunicar via linguagem de sinais.
* Animais também dão valor às suas vidas e são capazes de sofrer e lutar muito para mantê-las.
* Animais também são capazes de amar.

Fonte:
www.gaepoa.org/site/index.php?m=Materia&id=6
www.gaepoa.org/site/index.php?m=Materia&id=7
www.poramoraosanimais.blog.terra.com.br
—–
Primeiros passos: www.SejaVegano.com.br


Por Nathalia Mota

13 de junho de 2012

A linguiça e o porco


Você já assistiu a ‘pegadinha’ feita pelo SBT sobre a linguiça?

Clique AQUI para assistir!


O vídeo apresenta um “conteúdo altamente educativo e (in)formativo”. A maioria dos onívoros ao comer carne não faz ligação entre o produto e o animal, mas ao vê-lo sendo ‘morto’ a situação muda.

Já ouvi em diversas ocasiões pessoas afirmando que não conseguiriam comer uma carne se visse a morte daquele animal. Para elas, existe uma separação do que é consumido e da sua origem. O programa analisado ilustra bem esse fato.

Mesmo não sendo o objetivo do SBT mostrar como funciona a produção de linguiça de suínos ou a reeducar a sociedade, a emissora apresentou o assunto de forma bem criativa. É interessante observar o estilo do programa em que foi veiculado o vídeo e o público a quem ele é destinado. Os programas de auditório têm a finalidade, basicamente, de entreter o público; sua origem remete ao picadeiro dos circos. Entretanto, estes programas, embora não tenham essa finalidade, também informam. As pessoas recebem as informações de maneira mais receptiva nos programas de entretenimento, pois estão se divertindo, relaxando em frente ao televisor (falo detalhadamente sobre os gêneros televisivos na minha monografia que você pode conferir neste link http://josielesouza.blogspot.com/2011/01/tv-e-os-animais-monografia-disponivel.html)

Um simples quadro de programa de auditório conseguiu mostrar, de forma bem humorada, uma realidade muito cruel. Porém, não é possível chegar a conclusão de que quem assistiu o vídeo mudou sua relação com animais. Ainda há muito caminho pela frente. Acredito, entretanto, que esse simples vídeo atingiu muito mais pessoas e repercutiu o tema do que a maioria filmes produzidos para esta finalidade.

Fonte
Por Nathalia Mota

15 de julho de 2011

Estadão divulga matéria sobre Vegetarianismo

"Enquanto o Pavilhão da Bienal do Ibirapuera se prepara para receber mais de 22 mil visitantes na NaturalTech, única feira internacional de produtos naturais do País, que abre suas portas no dia 21, adeptos da dieta sem carne celebram uma onda de ofertas. Publicações, filmes, restaurantes, serviços, sites e blogs trazem à tona um tema ainda repleto de estigmas e, muitas vezes, alvo de piadas: o vegetarianismo. Ao mesmo tempo, mitos a respeito da alimentação que exclui do cardápio itens de origem animal estão ruindo.

O mais polêmico é o conceito de que o consumo de carne é essencial para a saúde. "Estudos científicos provam que não há nenhum único nutriente essencial que só exista na carne ou que dependa dela para ser bem aproveitado pelo organismo", avisa o paulistano Eric Slywitch, especialista em nutrologia e nutrição clínica.

A notícia é um alívio para vegetarianos que sempre escutaram que sua dieta era deficiente. A proteína animal pode se equivaler, por exemplo, a leguminosas como feijão, grão-de-bico, ervilha, lentilha, diz Slywitch, que também é coordenador do Departamento de Medicina e Nutrição da Sociedade Vegetariana Brasileira e professor de pós-graduação do Ganep (Grupo de Nutrição Humana). Porém, os vegetarianos costumam cometer um erro grave: substituir carne por ovos e queijos.

Para vegetarianos ou onívoros - aqueles que consomem carne - que desejam melhorar sua alimentação, o médico escreveu dois livros que têm se tornado referência: Alimentação sem Carne e Virei Vegetariano - E Agora? (ambos pela Editora Alaúde). O primeiro ensina a obter os nutrientes e como combiná-los de forma segura para otimizar todo o potencial que a alimentação vegetariana pode proporcionar. Já no segundo título, lançado ano passado, Slywitch responde às principais perguntas de adeptos ou não e fala sobre 60 mitos que rondam o tema. "As publicações têm o objetivo de ensinar, sem fazer patrulhamento ideológico", ressalta o especialista em dieta vegetariana, de 36 anos, que parou de consumir alimentos de origem animal na adolescência.

Entre as fontes que tratam do vegetarianismo está o livro recém-lançado A Cozinha Vegetariana, da catarinense Astrid Pfeiffer (Editora Alaúde) - que já caminha para a 2ª edição. São 60 receitas sem lactose, quase todas sem glúten e com ingredientes naturais. A nutricionista e Eric Slywitch são casados e, assim como o médico, ela é vegana. Juntos, atendem em sua clínica, uma ampla casa com direito à mini-horta orgânica, na Vila Mariana, zona sul da cidade.

Em um levantamento feito entre 644 pacientes que passaram pela clínica do casal em 2010, mais da metade segue a dieta vegetariana por razão ética, ou seja, em respeito aos animais. Saúde e questões ambientais também entram como justificativas, especialmente a que está diretamente relacionada ao impacto da pecuária. Segundo relatório emitido pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), de todas as atividades humanas, a pecuária é a maior responsável por problemas ambientais, principalmente a contaminação de mananciais.

Até "bad boys" como o ex-pugilista Mike Tyson abraçaram a causa. Vegano há quase dois anos, o campeão de boxe - que arrancou um pedaço da orelha de Evander Holyfield numa luta - promoveu em abril uma campanha junto com a ONG Last Chance for Animals (LCA) em prol do vegetarianismo. Em cartazes, foi fotografado beijando uma pomba ao lado da frase: Love animals, don’t eat them (Ame os animais, não os coma).

"Desde que me tornei vegano, os benefícios foram tremendos", testemunhou para a campanha realizada pela LCA. "Tenho mais energia e equilíbrio mental. Eu nunca me senti 100% até que tirei a carne da minha dieta. Agora, não me imagino comendo carne de novo."


Casado e pai de dois filhos, ele é o único da família a seguir dieta vegetariana. E conta que, após se submeter à cirurgia de redução de estômago, em 2004, a carne se tornou indigesta. Inspirado em dois integrantes da banda que são veganos, mergulhou no tema. Mas o marco da virada veio um ano depois: "Em um programa que fazia, rolava uma luta no ringue, sempre cheio de gosmas. Um dia misturaram línguas de bois com groselha. Isso revirou meu estômago e vomitei. A partir daí, nunca mais comi bicho."

O apresentador João Gordo, de 47 anos, que tem um quadro no programa Legendários, exibido pela Rede Record, e é vocalista da banda de metal hardcore Ratos de Porão, se diz aliviado em não compactuar com a matança e crueldade que envolve a indústria da carne. "Eu era o rei do bacon e da feijoada", brinca. "Mas, quando se conhece como tudo é feito, a gente começa a pensar de outro modo."


Felipe Rau/AEDocumentários e livros também funcionaram como gatilho. João Gordo encerrou de vez seu lado onívoro ao assistir ao vídeo A Carne é Fraca, produzido pelo Instituto Nina Rosa (ONG em prol dos animais) em 2004. De lá para cá, vários outros surgiram no You Tube. Em março, o documentário Carne e Osso foi exibido no festival É tudo Verdade. O filme revela as condições insalubres às quais os empregados de frigoríficos são submetidos.






Muita pesquisa em internet, leitura de livros e revistas especializadas formaram a base do conhecimento da personal trainer Perla Góes, de 34 anos. Ela se programou para se tornar vegetariana ao longo de um ano. Primeiro parou de comer carne vermelha, depois, frango e, finalmente, peixe. "Tinha receio de perder massa muscular por falta de proteína animal", diz.



Com a virada na dieta, há 7 anos, e orientação médica, seu corpo ficou ainda mais definido. E o que é melhor: sem suplementação alimentar de proteína. Além das novas formas, Perla ganhou uma pele mais viçosa e mais disposição física.

Longe do estereótipo que associa vegetarianismo à moçada alternativa está Maria Emília Ascenção Guedes, de 63 anos e há quase 30 adepta da alimentação sem carne. Casada e mãe de cinco filhos, todos seguem a dieta. "Não sei se posso atribuir a isso e ao leite de soja que substituí pelo de vaca, mas passei ilesa pela menopausa."




Sua filha Ana Lúcia, de 35 anos, conta que o interesse das pessoas sobre sua alimentação vegana é grande. "Todos elogiam minha pele", diz ela, que é formada em administração e trabalha no ramo imobiliário.

Já sua irmã, a engenheira Denise, de 29 anos, reclama dos interrogatórios. "A gente vira o centro das atenções", diz. Mas o pior é ouvir que um prato não tem carne porque só foi temperado com bacon ou porque tem pedacinhos de presunto. "Vai explicar que não é bem assim!"

OS DIFERENTES TIPOS

Ovolactovegetariano: inclui na dieta sem carne itens de origem animal, como ovos e laticínios Lactovegetariano: não come ovos, mas aceita laticínios
Vegetariano estrito ou vegano: exclui todos os derivados animais do cardápio. Também rejeita vestimentas e produtos de procedência animal ou que foram testados em animais
Crudívoro: só come alimentos crus ou aquecidos no máximo até 24°C, além de alimentos germinados
Vegetariano frugívoro: se alimenta de frutos, cereais, legumes e frutas oleaginosas (nozes, amêndoas, etc)"

Matéria do Estadão, escrita por Ciça Vallerio e disponível aqui.



Por Nathalia Mota

19 de maio de 2011

Livro defende o respeito aos animais como um aprendizado de humanidade


Seja na metamorfose de um jovem em inseto ou no profundo mergulho interior de uma dona de casa ao encarar uma barata no armário, as artes e a literatura sempre tentaram esgarçar as grades com as quais a ciência e o comportamento antropocêntricos separam os homens das outras espécies. Meninos-pássaros, homem-jangada, esposas vegetais, mulher-pantera, pergaminho humano, matrix, avatares, indivíduos biônicos, água-viva: o homem sempre experimentou existências híbridas no plano do imaginário, fruto do contágio e da contaminação.
Essas experimentações do imaginário finalmente ecoaram para a ciência. Só no século 20 e, sobretudo, neste século, quando as fronteiras entre o animal, o humano e a máquina foram mais seriamente tensionadas, parte emergente dela decidiu colocar em xeque os parâmetros em torno do conceito de humano com base no que supunha saber sobre os animais e outras espécies.
Livro foi lançado pela EdUFSC, nessa segunda-feira.
Fruto de uma parceria entre a EDUFSC e a Fapemig, a obra Pensar/Escrever o Animal – Ensaios de Zoopoética e Biopolítica vem a público com esse propósito. O lançamento em Florianópolis está marcado para a próxima segunda-feira, às 17h, no Centro de Cultura e Eventos da UFSC, como parte das comemorações dos 30 anos da editora.
Organizada pela professora da Universidade Federal de Minas Gerais Maria Esther Maciel, a obra é a primeira publicação no Brasil que expressa o pensamento contemporâneo multidisciplinar em torno de uma das questões mais emergentes da atualidade: a superação do antropocentrismo.
O movimento de animalização do ser humano na literatura e nas artes não é atribuído por esses filósofos à inferiorização metafórica dos animais, nem a uma mera apologia da natureza, mas antes a uma necessidade visceral e recalcada de libertar o próprio homem das amarras de ser homem oprimindo as outras espécies.
Como você situa, dentro do pensamento contemporâneo, o movimento inserido nessa obra que se propõe a refletir sobre as questões da animalidade?
Maria Esther Maciel – Ela parte de duas instâncias: de um lado, a reflexão sobre animais e a animalidade; de outro as relações entre humanos e outras formas de vidas. Esse tema tem estado em evidência em vários campos do conhecimento, sobretudo na Europa, América do Norte e Austrália, onde é uma questão muito viva. Envolve estudos na área de zoologia, filosofia, literatura, artes, antropologia, ecologia que compõem um novo campo multidisciplinar chamado Estudos Animais. Esse livro é uma primeira tentativa de colaborar para a construção desse campo de estudos no Brasil. É o primeiro livro que busca essa abordagem transdisciplinar da questão animal dentro do pensamento contemporâneo.
Quem são os precursores desse pensamento?
Maria Esther – Derridá, com seus antológicos escritos sobre o animal. As abordagens bioéticas de Agamben, com O Aberto, e Peter Singer, autor de A Libertação Animal. Deleuze, com a ideia de que o homem carrega um devir-animal. Foucault, ao propor a relação entre animal e loucura, o Georges Bataille e a exploração do erotismo, o conceito cyborg de Donna Haraway, enfim, autores de diversas áreas que realizaram estudos importantes sobre animalidade e as relações entre humano e animal e que ajudam a compor essa crítica na direção de um pensamento pós-humano.
O que estaria no âmago do antropocentrismo?
Maria Esther – Trata-se de um sentimento de soberania e superioridade humana, que leva à inferiorização das demais espécies, promovendo a associação dos “outros humanos” aos “outros animais”. O antropocentrismo hierarquiza e tiraniza por sua potência não só as espécies diferentes, mas os próprios humanos, subjugando os que são tidos como inferiores e por isso podem ser mortos. O poder soberano delibera sobre a vida e a morte desses grupos de pessoas relegadas ao lugar de prisioneiros de guerra, como fez o nazismo, como faz o imperialismo, ao anular esses seres humanos associando-os aos animais. Em síntese, a maneira como o homem soberano trata os animais, na qual tudo é permitido, é transposta para as relações humanas nesse exercício de poder em que se pode dispor da vida do outro e determiná-la.
O que há de novo nessa retomada da crítica ao antropocentrismo e à racionalidade humana?
Maria Esther – Pela primeira vez estamos nos deixando perturbar pela presença do animal. Nessa “reviravolta animal”, estamos deixando que surja esse outro do próprio homem que foi excluído, desprezado, em nome da máquina antropocêntrica.
Aliás, a questão da animalidade ganhou impacto quando o filósofo francês Jacques Derridá publicou O Animal que Logo Sou.
Maria Esther – Derridá começou este livro a partir da perturbação pessoal que lhe causava o olhar de seu gato, e chamando a atenção para o fato emblemático de que até então a filosofia ocidental nunca havia refletido sobre como pode o animal olhar o homem… Derridá faz uma crítica radical a uma linhagem da filosofia em que se inscrevem Aristóteles, Descartes, Heidegger, Levinás, que analisa o homem partindo de um ponto de vista antropocêntrico para falar da importância dessa questão para a filosofia contemporânea no sentido de desestabilizar um conceito clássico de humanismo que se tinha como justo e igualitário.
Afinal, por que a humanidade precisa pensar sua animalidade?
Maria Esther – Aproximar-se do animal é se tornar mais animal. Amar os animais é um aprendizado de humanidade. O homem pode se pluralizar com essa relação. É a forma mais radical de alteridade. Recuperar a animalidade é o sentido de recuperação do humano, porque o animal não se dissocia da humanidade. Há certa necessidade atávica de recuperar uma animalidade perdida.
E como você vê a emergência política dessa temática para a sociedade como um todo?
Maria Esther – De um lado, há uma questão contextual concreta, relacionada às grandes catástrofes ecológicas a despertarem a consciência em relação à natureza e ao equilíbrio entre todas as formas de vida. Por outro, a própria crise do conceito de razão como elemento dissociado, diferenciador próprio do humano, capaz de dar a ele o poder sobre as demais espécies. Estamos vivendo uma crise da filosofia da maneira de pensar nosso ser e estar no mundo em relação ao que nos cerca.
Em síntese, quando e como a ciência estabeleceu a cisão entre homens e animais?
Maria Esther – É difícil dizer porque animalidade não é algo que se possa definir com precisão. A cisão se deu muito em cima do triunfo da razão em cima de marcas humanas diferenciadas e que poderiam justificar o domínio de um sobre o outro. Essa cisão deixou o humano desprovido de algo que é inerente a nossa condição animal e pode nos melhorar na nossa relação com o outro. O ser humano não tem ainda a consciência de que faz parte de uma comunidade híbrida interespécies. Essa consciência passa pelas questões ecológicas, mas também pela crise da ideia de humano em função das novas tecnologias, da vida artificial, das próteses que funcionam como extensões do corpo e provocam uma crise no conceito de humano enquanto espécie separada das outras formas de vida.
Em grande medida, tudo o que a ciência definiu sobre o homem o fez em contraste ao que pressupõe como suas vantagens sobre o animal. Mas nós sabemos quem é o animal?
Maria Esther – Somos totalmente ignorantes em relação ao animal, que é um estranho por excelência, pois como imaginar o que o animal sente, pensa ou é? Não há linguagem em comum que permita esse conhecimento. Os estudos da animalidade estão atentos às descobertas recentes da etologia sobre as qualidades dos seres humanos em termos de inteligência, de sensibilidade, de atributos que eram tidos como humanos. Hoje esses estudos de comportamento do animal têm revelado propriedades impressionantes nos animais.
Inclusive no campo da linguagem, que é um limite demarcado como o que distingue o humano por excelência?
Maria Esther – Sim, há um campo exploratório pensando o animal também como um ser de linguagem. É o campo da zoossemiótica, que está em expansão no leste europeu, com imbricações na linguística e na semiótica. Ver o animal também como um ser de linguagem abre uma perspectiva de nos relacionarmos com o outro de uma maneira menos violenta e mais igualitária.
A ciência e o pensamento cartesiano ocidental se sustentam na distinção do humano, mas a literatura, as artes, as culturas pagãs e primitivas nunca se restringiram a essa prisão do homem como um ser absoluto que domina o mundo. São povoados por personagens e figuras míticas que experimentam formas híbridas entre humanos, animais, vegetais, máquinas…
Maria Esther – Sim, inclusive através da literatura é possível traçar a história do animal e de sua relação com o homem. Desde as fábulas de Esopo, desde os gregos antigos, os animais aparecem com muita força antropormofizados, alegorizados, metaforizados ou como personagens merecedores de respeito e de espaço como arquétipos positivos ou negativos. Em geral, a literatura ficou muito voltada para a metáfora pejorativa ou fantástica do animal. Mas o animal sempre usado como metáfora do humano, como ponto de partida para um projeto humano, o homem sempre no foco. Desde os gregos, passando pela idade média, o animal foi colocado a serviço do humano. A mudança de parâmetro se deu na idade moderna em função de Darwin, da teoria darwiniana que questiona o criacionismo e marca as origens animais do homem. Depois, os avanços da ciência do animal fizeram com que aparecesse como um ser pleno em si mesmo (e não apenas como primitivo do homem) e aí aparece na literatura uma tentativa de exercitar a animalidade.
Paralelamente, há um movimento de exclusão e demonização da animalidade nos séculos 18 e 19.
Maria Esther – De fato, isso tem a ver com uma mentalidade religiosa muito puritana de sacralização da espécie humana. O catolicismo oficial contribuiu muito para a renegação do animal e para a fixação desse estigma que o relega à inferioridade, violência, irracionalidade, loucura, sexualidade, perversão. Os animais são os que não têm alma. Esse especismo religioso teve repercussão simbólica na literatura, com o surgimento dos monstros, híbridos entre formas humanas e animais do século 19, revelando uma animalidade recalcada, que vem do imaginário como monstruosa e ameaçadora. O que na verdade é um retorno a um momento da Idade Média em que a repressão do catolicismo à animalidade e aos mitos pagãos provocou essa composição monstruosa e recalcada do animal. Hoje os vampiros e os lobisomens retornaram à cena na ficção literária e cinematográfica, mas esvaziadas de sua animalidade.
Você acredita que um dia olharemos para trás e pensaremos na relação predatória em grande escala que temos com os animais sentindo a vergonha e a perplexidade que hoje temos ao examinar crimes naturalizados no passado, como a escravidão dos negros pelo ocidente?
Maria Esther – Acho uma expectativa um pouco utópica. Infelizmente, minha expectativa é que em breve não haverá mais animal enquanto um outro que proporciona uma experiência radical de alteridade. Os que vão persistir são os do zoológico e para produção de alimentos, numa reprodução em série e cruel, dentro do pior do sistema capitalista. Acredito que de um lado haverá uma destruição avassaladora da vida animal selvagem e livre, em paralelo à humanização excessiva dos animais domésticos e, por outro, essa produção massiva de viventes em condições bárbaras, seres de vida curta e programada, nascidos para serem mortos deliberadamente.

Por Nathália Mota

4 de abril de 2011

Médico garante que o veganismo é uma prática saudável

(Foto: pratos veganos preparados por membros do V.I.D.A.)
Falar em abolir o consumo de carne na terra do churrasco pode até soar como um insulto, mas é o que algumas pessoas estão fazendo. São os adeptos do vegetarianismo, um grupo que vem crescendo nos últimos anos a ponto de virar tema de estudo de especialistas. 
Em uma das mais recentes obras sobre o assunto, Vegetarianismo e Ciência (Editora Alaúde, 252 páginas, R$ 39), o cardiologista e nutrólogo Julio César Acosta Navarro, com 20 anos de sua carreira dedicados a descobrir os efeitos da dieta livre de produtos de origem animal no organismo, garante que abolir a carne das refeições não oferece qualquer prejuízo à saúde. Para Navarro, o ser humano não nasceu para ser carnívoro.
— Essa história de que na dieta sem carne há deficiência de proteína, vitaminas e sais minerais é mítica. Todos os alimentos vegetais têm esses nutrientes, mesmo que em níveis menores. Existem muitas formas de compor uma dieta equilibrada. Até mesmo grandes atletas adotam o vegetarianismo — diz o o médico chileno naturalizado brasileiro, que atua no Instituto do Coração do Hospital das Clínicas de São Paulo.
Não ingerir proteína acarreta a perda de massa muscular, fraqueza, déficit de crescimento, alterações metabólicas, cerebrais, de aprendizagem, musculares, cardiovasculares e imunológicas. Isto ocorre quando há falta de alimentos. A dieta vegetariana, segundo o médico, permite que se busque alternativas, como o próprio nome diz, nos vegetais.
O autor da obra faz apenas uma ressalva: mesmo o prato mais balanceado do vegetarianismo será carente de um tipo de vitamina. A B12 é a única que não é encontrada em quantidades suficientes em nenhum outro alimento que não tenha origem animal. Ela é essencial para o bom funcionamento do Sistema Nervoso Central. Em falta, pode causar depressão, por exemplo. Os sinais mais claros do déficit desse nutriente é memória prejudicada e fraqueza. Por isso, aos adeptos do vegetarianismo é indicada uma suplementação alimentar, que pode ser em cápsulas ou injetável.
Os especialistas consideram a discussão sobre as perdas de substâncias essenciais para o corpo com a dieta vegetariana ultrapassada. Há agora uma busca pela educação da população, já que quando se decide adotar hábitos diferentes de alimentação deve-se ter acompanhamento médico e nutricional. O segredo do sucesso já é batido, mas não custa reforçar: equilíbrio.
Para a endocrinologista Patrícia Santafé, do Hospital São Lucas da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), a dieta em si é saudável. O problema, conforme a médica, é que a maior parte das pessoas elimina a carne e seus derivados por conta própria, sem se preocupar com a reposição de nutrientes essenciais.
— Quando corta todos os produtos de origem animal da alimentação e não compensa com outros alimentos, a pessoa pode apresentar deficiência de cálcio, de ferro e de gordura. Isso compromete o colesterol e pode causar anemia — adverte Patrícia.
Rica em fibra, pobre em gordura
De um modo geral, a nutrição vegetariana atende com maior facilidade aos requisitos de uma dieta saudável. Rica em fibra e pobre em gordura saturada, com ela é possível o equilíbrio entre proteínas, carboidratos e lipídeos, que preenchem as necessidades diárias de minerais e vitaminas, destaca a nutricionista clínica Sálua Finamor.
— Quando planejada adequadamente, a dieta vegetariana é saudável e resulta em benefícios à saúde, tanto na prevenção quanto no auxílio do tratamento de certas doenças — explica Sálua.
As razões que levam alguém a aderir ao vegetarianimo não se restringem à busca de uma vida mais saudável. Muitos deixam de comer carne por questões ambientais e por serem contrários ao sacrifício de animais. Em seu livro Vegetarianismo e Ciência, o médico Julio César Navarro cita um relatório da FAO, a unidade das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, que aponta que a produção de 250 gramas de hambúrguer libera tanto gás estufa para a atmosfera quanto um carro durante uma viagem de 15 quilômetros.
Seja por ideologia ou por causa da saúde, não há idade para se iniciar uma dieta desse tipo de acordo com os especialistas. Mesmo grávidas e crianças, conforme a obra de Navarro, podem adotar o vegetarianimo. A ADA (American Dietetic Association), órgão de saúde americano, afirma que as dietas lacto-ovo-vegetarianas, quando adequadamente planejadas, podem satisfazer as necessidades nutricionais de bebês, adolescentes e adultos, promovendo um crescimento normal.
— Apesar das comprovações científicas, acho importante não condicionar uma criança à alimentação vegetariana. Pode-se oferecer a opção de comer ou não carne, sempre cuidando obviamente para que se esteja ofertando uma dieta saudável, com todos os nutrientes, para a idade. Devemos deixar que no futuro a pessoa decida o que é melhor para si, para os animais e para o ambiente em que vive — salienta Sálua.
O churrasco dos veganos

Os hábitos alimentares da antropóloga Maria de Nazareth Agra Hassen, 50 anos, e do marido, João Carneiro, 46 anos, editor e presidente da Câmara Rio-grandense do Livro, há cinco anos, mudaram da água para o vinho. Ou melhor, da carne para o brócolis. A família e os amigos acharam que sairiam perdendo, já que João era o churrasqueiro oficial dos domingos. Para a alegria de todos, a churrascada do fim de semana foi mantida. Só que agora, nos espetos da residência do casal, entram apenas carne de soja, legumes, frutas e verduras. De início foi estranho, confessa Nazareth, mas depois tudo virou diversão.
Hoje, Nazareth se sente bem melhor, e sua saúde nunca esteve tão boa. Exames periódicos mostram que ela está bem nutrida. Como é vegana, não se aventura em nada que tenha origem animal, mas faz reposição de vitamina B12 a cada seis meses.
— Comer ficou bem mais divertido, agora que não é mais só para matar a fome.
Pensamos em tudo para montar um prato saboroso e saudável — conta a antropóloga, que decidiu ser vegana por compaixão aos animais.
Para Maria de Nazareth e João, seus pratos ficaram mais bonitos. A não ser a extinção dos cortes bovinos, nada mudou na confraria da churrasqueira.
— churrasco vegetariano me ajuda a evitar a famosa barriguinha. De resto é tudo igual. Tomamos cerveja, espetamos a carne de soja como se fosse uma peça de matambre, com tempero de véspera. Tem o pão com alho e também a salada de maionese, feita com batata, isoflavona (substância derivada da soja que substitui o ovo), aipo e cenoura — destacou João.
Conheça os tipos de vegetarianos
:: Ovolactovegetarianos: Alimentam-se de ovo e de derivados do leite.
:: Lactovegetarianos: Comem derivados de leite.
:: Vegetarianos total ou veganos: Não comem produto de origem animal.
Os benefícios
A dieta vegetariana pode ser usada na prevenção de doenças e como auxílio em tratamentos, conforme a ADA (American Dietetic Association):
:: Doenças do sistema digestivo: A alta ingestão de fibras faz com que as deposições fecais sejam mais volumosas e suaves, permitindo uma frequência maior de evacuação. Em geral, pessoas vegetarianas sofrem menos de síndrome do cólon irritável, apendicite aguda, hemorróidas e úlceras
:: Obesidade: A taxa de obesidade é menor em vegetarianos. Com isso, previne-se cardiopatias e problemas de colesterol e triglicerídeos
:: Diabetes tipo 2: Melhora o controle da glicose e favorece a manutenção de níveis desejáveis de lipídeos
:: Infarto: Redução do número de mortes em 31% em homens vegetarianos e  de 20% em mulheres que seguem a dieta
:: Colesterol: Os níveis são 14% mais baixos em vegetarianos
:: Osteoporose: Mulheres após a menopausa com dieta rica em proteína animal e pobre em proteína vegetal têm taxa mais alta de perda óssea e risco maior de ter fratura de quadril
:: Envelhecimento: Repercute no bom funcionamento dos órgãos e em uma aparência física mais saudável
Os 4 pecados
:: Falta de orientação: Por ser uma atitude que mexe nos hábitos alimentares, é necessário buscar o auxílio de especialistas, que vão personalizar seus pratos e lanches levando em consideração peso, altura, hábitos
:: Monotonia: Não variam a dieta e comem todos os dias os mesmos alimentos. É preciso variar a alimentação, criar pratos novos e incrementar com legumes, frutas e verduras diferentes
:: Tendência a refinados: A carne vermelha provoca uma sensação de saciedade. Por isso, a primeira atitude de alguém que a retira da alimentação é correr para carboidratos e frituras. Para ser saudável, deve-se substituí-los por produtos integrais, do arroz ao pão
:: Deixar de repor nutrientes: Uma avaliação periódica de minerais, proteínas e vitamina B12 é necessária. Suplementos alimentares podem auxiliar.
Faça um cardápio saudável
Fontes de ferro no reino vegetal:
Coma feijão preto, lentilha, ervilha, soja, tofu, gão-de-bico, cereais integrais, gema de ovos, vegetais folhosos verdes (couve, espinafre, brócolis, folhas de beterraba), castanhas (caju) e sementes (semente de abobora, gergelim), frutas secas (damasco, ameixa, passas de uva)
Alimentos que aumentam a absorção de ferro
Sucos ou frutas ricos em vitamina C, como laranja e acerola
Alimentos com cobre, como leguminosas  (feijão, ervilha, lentilha, grão-de-bico), gema, brócolis, milho, beterraba, alho, rabanete, figo, ameixa, laranja, cogumelo, castanha-do-pará, amêndoas, nozes, melado, farinha de soja, trigo integral, aveia, cevada, centeio
Alimentos com ácido fólico, como fígado, nozes, feijão, vegetais  de folhas verde escuras, levedo, brócolis, beterraba, alface, grão-de-bico, laranja, couve-flor, banana, lentilha, cenoura, melão
Alimentos que diminuem a absorção de ferro (não devem ser consumidos uma hora antes, nem uma hora depois das refeições)
Chá mate, preto, chimarrão, chocolate, café, refrigerantes, espinafre e beterraba crus e chocolate
Preste Atenção
Vegetarianos têm menor necessidade e maior absorção de nutrientes. Conforme a nutricionista Claudia Malmann, o organismo se adapta à falta de carne. Por exemplo: o ferro dos vegetais não é tão bem absorvido como o de origem animal, porém, o consumo de vitamina C da dieta vegetariana compensa o déficit desse nutriente.
Fonte: Zero Hora e Anda
Por Nathalia Mota

18 de agosto de 2010

SBT Repórter – Carne: Mitos e Verdades

O programa foi ao ar na segunda-feira, 16 de agosto de 2010.
Na matéria, o SBT Repórter investigou os mitos e “verdades” de um dos alimentos mais polêmicos de todos os tempos: a carne.

A matéria também falou sobre veganismo: Modismo ou filosofia de vida? Por que tanta gente para de vez de comer carne e tudo o que vem dos animais?

Obs: A matéria não foi voltada para o veganismo e nem para o consumo da carne. Ela apenas apresentou as duas vertentes. 

Caso não queira ver a matéria inteira, as partes que falam sobre veganismo são: Parte 2 e Parte 3. Porém, é aconselhável assistir ao programa completo para que se tenha uma contextualização melhor.


Parte 1



Parte 2



Parte 3



Parte 4




Complementar

- Na última parte um funcionário de uma – nas palavras dele – “grande empresa, fábrica de carne”, afirma que os porcos ali escravizados “doam” sua carne pra nós. Para quem nunca viu esse gesto de “doação” dos animais, aconselho este vídeo.

- Na participação da modelo Isabella Fiorentino, ela afirma que seu corpo “pede” carne e que seu “maior sonho” é ser vegetariana. Isabella, boa notícia: seu corpo não está pedindo carne, é o custume falando alto, faça como seu colega: escolha o prato.


Fonte

Por Nathália Mota

16 de agosto de 2010

Entrevista com John Joseph da banda Cro-Mags


Caso você encontre John Joseph no centro de Nova Iorque, você poderá dar uma olhada na sua teia de tatuagens desbotadas, outra na sua sólida estrutura e uma última na sua face carrancuda e pensará consigo mesmo: “Esse é o tipo de cara que eu não gostaria de encontrar em um beco escuro!” Na verdade você também não gostaria de encontrá-lo para debater algum assunto. Há aproximadamente 30 anos, John foi um dos membros fundadores da banda Cro-Mags, que foi uma das primeiras a unir os gêneros musicais hardcore e heavy metal. Além disso, John seguiu os passos de seu mentor, H.R. da banda Bad Brains, e foi um dos primeiros compositores a trazer espiritualidade para o punk rock, que, naquela época, estava infesto com excesso de niilismo. Enquanto muitas bandas estavam se autodestruindo, John, praticante do que é comumente referido como o Hare Krishna, expõe o seu ponto de vista de vida positivo, argumentando para o melhor tratamento do homem assim como seu próprio corpo.
Desde então, ele adotou comentários amargos para a empresa Monsanto, explicou suas visões na International Society For Krishna Consciousness, em português, Sociedade Internacional Para A Consciência Do Krishna, e trouxe a banda Cro-Mags de volta da morte. Entre viver ativamente na cena por quase 30 anos, administrar uma academia especializada em vida saudável em uma das vizinhanças mais violentas em Nova Iorque por mais de uma década e detonar corporações multinacionais, é de se admirar que John tenha tempo para fazer alguma coisa além de respirar. Contudo, de alguma maneira, ele tira tempo para escrever o livro Meat Is For Pussies, em português, Carne É Para Os Fracos, um guia de vida saudável. Devido a isso, o entrevistador do site PunkNews.ORG, John Gentile, sentou com John para descobrir a proposta de seu novo livro, sua visão em espiritualidade e o que é bom para comer.





John Gentile: Por que o livro e por que agora?

John Joseph: Vivi como vegetariano sem carne e ovos por quase 30 anos. Comecei em 1987, mas recentemente, nos últimos anos, vi muitos amigos meus e familiares morrerem de câncer e todo o tipo de coisa. Isso não para! A maioria dos motivos das mortes é relacionada à dieta, no que as pessoas estão ingerindo. As pessoas simplesmente não sabem o que existe no alimento que estão comendo.

JG: Qual é a proposta do seu livro?

JJ: Andei pela enfermaria com pessoas com câncer quando vi o namorado da minha mãe deteriorando. Isso pode ser prevenido! Precisamos tocar os alarmes e deixar com que as pessoas saibam que todo esse sistema pode ser parado. No documentário Food Inc., a família diz que ela não tem dinheiro para comprar brócolis. Quanto eles estão gastando para comprar remédios? A questão não é tratar o sintoma e sim pensar aonde você adquiriu a doença. Mude o que você coloca dentro do seu sistema digestivo porque isso não afetará apenas o seu corpo, afetará também a sua mente. O mundo está mudando e você pode continuar no passado ou se atualizar. Você pode escolher ficar doente ou se tornar saudável.

JG: Com esse título, você não acha que estará criando problemas?

JJ: Não, essa na verdade não é a minha intenção. O título sugere que estou julgando, mas o que ele realmente diz é que se você continuar vivendo um estilo de vida que a maioria dos estadunidenses, esse estilo de vida te transformará em um fraco dependente das companhias de medicamentos. Caso você pesquise sobre as 500 maiores companhias do mundo, a maioria é de corporações farmacêuticas. Essas empresas e as de alimentos olham para você como forma de lucro desde que você vive até o momento da sua morte. Eles querem ver você ficar doente. Uma pitada de prevenção é bem mais barato do que a cura para uma enfermidade.

JG: Porque as empresas alimentícias querer deixar você doente? Quanto mais tempo você viver, mais lucro você dará para eles. Existe uma conspiração entre os dois tipos de empresas?

JJ: Ambas as empresas estão atadas e as três coisas que queremos é gordura, açúcar e sal. A comida estadunidense é cheia de soja e milho oriundos de organismos geneticamente modificados. Existe um cooperativismo para te deixar doente. Quando você ficar doente, os estoques farmacêuticos verão a luz do dia. Três dos políticos que ajudam o presidente Barack Obama na área da saúde, mais especificamente alimentação, são membros de alto nível da empresa Monsanto.Essa é uma conspiração contra o povo dos Estados Unidos da América feita por essa nova ordem mundial. Visite o site da National Health Federation para maiores informações.

JG: Qual é a relação entre a dieta estadunidense e as doenças?

JJ: Somos a nação mais doente no planeta. Consumimos a maioria diária de carne, peixe e comida processada. Você não pode me dizer que não há uma corrente de ligação. Não subirei em um púlpito, mas há vários assuntos dos quais estou ciente. Um deles é o codex alimentarius, um código usado para radiar todos os alimentos e destruir certos genes, proibindo o rótulo das GMO’s. As pessoas precisam pensar sobre isso, eles modificam o código genético de um linguado em um tomate e fazem isso utilizando vírus para quebrar a cadeia de DNA do tomate. Por fim eles atiram radiação no tomate para matar o vírus. Esse é o motivo pelo qual as pessoas estão ficando doentes.

JG: Você acha que uma dieta não saudável está relacionada contracultura punk?

JJ: Caso você viva como um punk significa que você questiona a autoridade. Em lugar nenhum está escrito que os punks precisam ser não saudáveis. Isso não é ser punk! Eu ainda posso subir no palco com 48 anos. Por que existem pessoas que são 10 anos mais jovens do que eu que estão com problemas de saúde? Precisamos lutar para manter orgânica a comida orgânica, por isso não estamos injetando veneno.

JG: Por que você acha que os alimentos estão tão ligados com a espiritualidade?

JJ: Para mim, a comida é a maior perspectiva que você pode ter sobre o que faz na vida. Conheci os membros da banda Bad Brains e a primeira coisa que eles me disseram foi para parar de comer comida envenenada e aí com as drogas. Você precisa entender que quando você ingere a carne do animal que foi torturado, você está adquirindo seu carma ruim. Você não pode dizer que almeja espiritualidade e paz enquanto mata seis bilhões de animais por ano nesse país. Primeiro, pare de colocar animais mortos dentro do seu corpo. Isso torna você uma pessoa mais pacífica. Este é o primeiro passo para o progresso espiritual e não um progresso religioso.

JG: O que diferencia o seu livro das outras filosofias vegan que foram divulgadas na contracultura desde o começo dos anos 80?

JJ: Nos anos 80 e 90, a maioria dos straight edge vegans julgavam muito as outras pessoas e tinha complexo de superioridade. Acho que todo esse movimento rotulou o veganismo de uma maneira ruim. Prefiro sair com camaradas que freqüentam o McDonalds porque alguns veganos são apenas um golpe no peito. Não uso drogas e sou vegan, mas não julgo as pessoas e escrevi o livro para ajudá-las. Eu não tento empurrar o meu ponto de vista goela abaixo nas pessoas. O livro é para o tipo de cara que quer entrar em forma, botar para quebrar e chegar longe. Eu defendo o não uso de bebidas e drogas.

JG: Você quer dizer que não está empurrando o seu ponto de vista?

JJ: Caso você queira beber, beba. Isso não me incomoda. Esse livro é o que funciona para mim. Eu me divirto e fico maluco de tantas outras maneiras. Cabe as pessoas decidirem se elas querem escutar ou não. Eu não estou dizendo para você desenhar um “x” na sua mão e divulgar a literatura vegan. Eu não preciso me posicionar nas tangentes e esse livro é um diálogo que precisa acontecer.

JG: Um grande número de bandas cristãs nos gêneros musicais punk rock e metal são desconsideras ou motivo de chacota por bandas não cristãs. O mesmo não acontece com você, com a banda Cro-Mags ou bandas que tocam o Krishnacore. Por que?

JJ: Antes de mais nada, a banda Cro-Mags não é uma banda de Kirshnacore. Sou um seguidor dos ensinamentos de Prabhupada. Descobri a filosofia e a pratico de uma maneira representativa. Prabhupada salvou a minha vida.

Ninguém na banda veste o uniforme Hare Krishna. Eu não me vejo dentro do gênero musical Krishnacore. Não seja como a banda Shelter no palco, eles foram um dos maiores hipócritas de todos os tempos. Essa banda entregou a mensagem das letras de suas músicas com uma flor. A banda Cro-Mags fez isso com um taco de beisebol. Nós descemos até o subterrâneo, até os canos de esgoto com todos os tipos de pessoas. Nós não viemos do subúrbio de famílias de classe média-alta em Connecticut. Estamos vivendo o que escrevemos a respeito.

Prabhupada escreveu apenas para ser um real seguidor. Essa foi a sua mensagem. Todas as pessoas deturparam a sua mensagem original, que não era dogmática, a mesma mensagem do primeiro álbum de estúdio da nossa banda. Alguém conversa sobre a banda Shelter? A nossa mensagem é universal que qualquer pessoas pode usar. A deles foi gerada para manipular as pessoas.

JG: Por algum período de tempo você administrou um centro espiritual na cidade de Nova Iorque. Há planos de recomeçar um centro?

JJ: Caso a sorte esteja do meu lado, abrirei um novo centro. A minha missão é construir um novo edifício. Você pode falar o que você quiser, até porque falar é fácil, mas você precisa ter compaixão pelas pessoas. Algumas dessas pessoas podem roubar o dinheiro de outras, mas algumas dessas estão procurando alguma coisa para fazer. Caso você ajude alguém a se sentir bem e depois você a trapaceia, quem é o pau no cu é você. Isso é mais baixo do que pegar um revólver e roubar uma pessoa na rua porque nesse caso você está destruindo o espírito daquela pessoa e isso é o pior que você pode fazer.

JG: Quais são seus comentários finais?

JJ: Desejo o melhor para todos. Lançarei um livro de receitas depois deste. O livro trás receitas realmente saudáveis para os camaradas que malham e precisam de energia. Já passei das 12 horas diárias e corri 10 milhas. Esse livro trás uma mensagem positivo e não para deixar alguém para baixo.

Fonte

Por Alex Peguinelli

5 de agosto de 2010

Diretor do filme Terráqueos fala sobre veganismo



Shaun Monson, vencedor do prêmio pela produção e direção de “Terráqueos” – www.earthlings.com ou www.vista-se.com.br/terraqueos -, compartilha seus pensamentos a respeito do debate “proteína animal e proteína vegetal”, o conceito de assassinar animais para alimentação e a relação com a propensão da humanidade à guerra, os problemas com os derivados, e mais. Este vídeo deve ser visto por qualquer pessoa interessada em conhecer um pouco sobre a dieta Vegan ou vegetariana.

Declarações de Shaun Monson nesse vídeo:

"A humanindade desenvolveu uma compaixão por algumas formas de vida: pelos mais próximos, pelos bichinhos de estimação, pela família, nação, etc. Mas tem uma atitude de agressão ou apatia por outros grupos. Há consideração moral dada a algumas formas de vida e a outras não."

"O único benefício que alguém tem em comer carne é se auto-deteriorar. Esteja aberto à novas ideias."

Fonte
Por Nathália Mota

20 de abril de 2010

Programa LOGIN 16/04/2010 - Tv Cultura



http://www.tvcultura.com.br/login/videos/naintegra/2010-04-19/24974

Ser vegetariano, por quê? Para debater o tema de hoje chamamos George Guimarães, Lucínia de Campos e Anny Atti. Ainda temos a participação de Makair Moura via Skype.