9 de março de 2010

Você sabe para que serve um boi?

Essa é a pergunta que inicia um dos artigos presentes no site do “Serviço de Informação da Carne” (http://www.sic.org.br/), sendo que o principal intuito deste seria “informar” as pessoas dos benefícios do consumo de carne vermelha e “combater” a adoção de dietas que restringem total ou parcialmente este “alimento indispensável”.

De caráter especista ao extremo, o artigo vai demonstrando como o boi é utilizado nos mais diversos produtos, tais como biocombustíveis, gelatina fotográfica, brocha de pintor, lápis, pneus, gelatina neutra (presente em maria-mole, chiclete, suspiros, recheios, coberturas, iogurtes, sorvetes, cremes, alguns vinhos...), na industria farmacêutica fornecendo diversas substâncias como insulina, hormônios da reprodução, enzimas digestivas, entre outros.

Após enumerar os produtos que são compostos por “partes do boi”, o site vai ainda mais longe, afirmando que “não é exagero nenhum dizer que absolutamente tudo do boi é aproveitado, podemos dizer de forma simbólica que até o berro é aproveitado, pois pode ser gravado e utilizado em músicas e trilhas sonoras de filmes e novelas”.

E não para por aí, no final do artigo o site declara: “A pecuária e o abate de bovinos além de gerar riquezas e empregos diretamente, contribui sobremaneira para o funcionamento de diversos outros setores. Se o abate de bovinos parar haverá paralisação direta de 49 dos mais variados segmentos industriais. A pecuária é, portanto um dos principais geradores de riquezas para o país, e deve passar a ser tratada como tal. Para isso é necessária a mobilização de todo o setor para que todas essas informações cheguem à opinião pública.”

Obviamente, o site esqueceu de informar que a escravidão também já foi “um dos principais geradores de riqueza para o país” até 1888, o que não impede que, atualmente, tal atividade seja condenável moralmente. Mas até o final do século XIX, contudo, pessoas favoráveis a escravidão faziam uso de argumentos semelhantes aos usados pelos fundadores do site com o intuito de justificá-la.

Não obstante, o site também esqueceu de mencionar que a “riqueza” gerada pela pecuária fica na mão de poucos, uma vez que ela emprega cerca de 62% da mão-de-obra escrava do Brasil e é a atividade que mais concentra renda, trazendo ganhos para os fazendeiros às custas de prejuízo para índios, agricultores e ribeirinhos, que são injustamente expulsos de suas terras. Para se ter uma idéia da magnitude disto, é só imaginar que, para cada 700 cabeças de gado, em uma área de 1000 hectares, é empregado apenas um funcionário...

Fora o impacto dessa atividade para o meio ambiente, denunciado no relatório “Farra do Boi na Amazônia” do Greenpeace: a indústria da pecuária na Amazônia é o maior vetor de desmatamento do mundo, nos anos recentes; a cada 18 segundos, um hectare da floresta amazônica, em média, é convertido em pasto; de acordo com o próprio governo brasileiro, a pecuária é responsável por cerca de 80% do desmatamento de toda região amazônica. Por fim, vale ressaltar que, segundo a FAO (ONU), a pecuária é a principal emissora de gases de efeito estufa, sendo responsável por 18% das emissões, enquanto os transportes emitem 13%...

Devido à crescente divulgação de dados como os acima expostos, o consumo de carne vem caindo, fato este comprovado na manchete “Consumo de carne cai e SIC convoca à reação”, exposta no site. Uma das formas que eles encontraram de fazer isso foi criando o “Segunda é dia de churrasco”, em resposta à bem sucedida campanha “Segunda-feira sem carne”, inaugurada em outubro de 2009 em São Paulo.

Em suma, o site só demonstra o que já sabíamos: eles estão com medo de nós. O vegetarianismo está ganhando espaço, a ponto de eles mesmos afirmarem isso e fazerem um site com o objetivo de “defender” o consumo de carne. Pois bem, enquanto eles convocam à “reação” nós convocaremos todos à ação, para que o processo evidente de conscientização e diminuição do consumo da carne seja cada vez mais intensificado!

por Cássia Moraes.

7 de março de 2010

Peixe não nasce em árvore (Manifestação)


PEIXE NÃO NASCE EM ÁRVORE!

Pelo nosso grau distanciado de parentesco com os peixes, as pessoas costumam deixar de associá-los a seres sencientes (seres capazes de sentir dor). Mas o fato é que os peixes possuem terminações nervosas que, só ao redor da boca são equivalentes ao número de terminações que o homem possui na região genital, ou seja, a sensação do anzol na boca do animal é semelhante à sensação do anzol atravessando o testículo humano. Os peixes, como seres que sentem dor, não devem ser tratados, pelo homem, como mercadoria, sendo aprisionados, maltratados e mortos para alimentação, diversão (pesca) ou para serem exibidos em aquários. Devemos respeitar a vida em todas as espécies, por mais diferente de nós que elas sejam.

Por Alex Peguinelli

Proibição de rodeios em Araraquara/SP - Só falta prefeito aprovar

"O projeto de lei que proíbe rodeios na cidade de Araraquara foi aprovado pela Câmara dos Vereadores em duas votações. Agora falta apenas o Prefeito Municipal Marcelo Barbieri sancionar a lei.
 
Porém, ele está sofrendo fortes pressões políticas de opositores ao projeto, principalmente vindas de dentro da própria Câmara dos Vereadores.

Por favor, assine a petição abaixo e mostre ao prefeito que não suportamos mais essa prática.

http://www.peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=P2010N1514
 
Informações do ativista Pedro Salmaso."
 
Fonte: Infosentiens
 
Por Alex Peguinelli
 
 

2 de março de 2010

2º Pic Nic Vegano



Após o resultado positivo no 1° Pic Nic Vegano, em 2009, o Coletivo V.I.D.A. teve a segunda realização deste evento.
O 2° Pic Nic foi dia 28 de fevereiro, domingo, e contou com diversos pratos veganos, além de material informativo sobre direitos animais e dieta vegetariana para ser distribuído gratuitamente.  Houve também sorteio de revistas e adesivos temáticos.


"O intuito do Pic Nic é informar, de uma maneira descontraída e divertida, sobre as vantagens de um estilo de vida vegetariano. Ganhos esses que vão de bem-estar e saúde, uma postura mais ética e de respeito com os animais e, até mesmo, uma economia no final do mês".


Mais fotos:
http://www.orkut.com.br/Main#Album?uid=10403518342244343906&aid=1266331146

 
Por Henrique Cruz.

A Insustentável Leveza do Ser - Milan Kundera














O livro "A insustentável leveza do ser", do consagrado autor Milan Kundera é um clássico da literatura mundial. Além de sua linguagem singular, que mescla romance com pensamentos, há uma profunda reflexão sobre como os homens agem com os animais, a qual segue abaixo:

"No começo do Gênese está escrito que Deus criou o homem para reinar sobre os pássaros, os peixes e os animais. É claro, o Gênese foi escrito por um homem e não por um cavalo. Nada nos garante que Deus desejasse realmente que o homem reinasse sobre as outras criaturas. É mais provável que o homem tenha inventado Deus para santificar o poder que usurpou da vaca e do cavalo. O direito de matar um veado ou uma vaca é a única coisa sobre a qual a humanidade inteira manifesta acordo unânime, mesmo durante as guerras mais sangrentas.

Esse direito nos parece natural porque somos nós que estamos no alto da hierarquia. Mas bastaria que um terceiro entrasse no jogo, por exemplo, um visitante de outro planeta a quem Deus tivesse dito: “Tu reinarás sobre as criaturas de todas as outras estrelas”, para que toda a evidência do Gênese fosse posta em dúvida. O homem atrelado à carroça de um marciano – eventualmente grelhado no espeto por um habitante da Via-láctea – talvez se lembrasse da costeleta de vitela que tinha o hábito de cortar em seu prato. Pediria então (tarde demais), desculpas à vaca.
 
(...)
 
A humanidade é parasita da vaca, assim como a tênia é parasita do homem: agarrou-se à sua teta como uma sanguessuga. O homem é o parasita da vaca, essa é, sem dúvida, a definição que um não-homem poderia dar ao homem em sua zoologia.
 
A verdadeira bondade do homem só pode se manifestar com toda a pureza, com toda a liberdade, em relação àqueles que não representam nenhuma força. O verdadeiro teste moral da humanidade (o mais radical, num nível tão profundo que escapa a nosso olhar), são as relações com aqueles que estão à nosso mercê: os animais. É aí que se produz o maior desvio do homem, derrota fundamental da qual decorrem todas as outras."
 
 
por Cássia Moraes