6 de outubro de 2010

ENDA 2010



Estamos nos aproximando da data do maior evento do país com foco no ativismo pelos direitos animais, o Encontro nacional de Direitos Animais acontece de 09 a 12 de outubro (feriado) no interior de São Paulo. 
 
O ENDA é mais do que uma reunião de palestras, é uma oportunidade única de troca de experiências entre os ativistas que lutam pelos direitos animais em todo o país, reunidos em um ambiente rural onde podem desfrutar de uma intensa convivência, permeada por aprendizado e com muitos momentos de lazer.

Você ainda não fez a sua inscrição? Você ainda pode evitar se arrepender por não ter participado!

Como o evento será realizado nas instalações de uma ecovila, as vagas são limitadas. Não fique de fora!

Acesse www.enda.org.br e inscreva-se agora mesmo!

4 de outubro de 2010


Reportagem da Revista Galileu afirma que o vegetarianismo é nocivo ao meio ambiente


É difícil rebater, ponto a ponto, todas as falácias e impropriedades apresentadas em uma matéria publicada na revista Galileu sem escrever um longo texto. Mas podemos começar pelo próprio título – “Vegetarianos fazem mal ao meio ambiente” (leia aqui a reportagem da Galileu) – que revela o viés maniqueísta e sensacionalista, característico da chamada imprensa marrom, que permeia o conteúdo da matéria, e me faz lembrar manchetes famosas como “Cachorro faz mal à moça!”.
Donal Murphy-Bokern é pesquisador
O autor, ou responsável pela matéria publicada em setembro deste ano, o pesquisador Donal Murphy-Bokern, comete, já de início, o erro de não citar a referência bibliográfica do estudo que usa para fazer a afirmação extremamente polêmica de que uma dieta que se situa mais próxima do topo da cadeia trófica – isto é, que inclui carne – é mais sustentável do que as dietas que se encontram na base da cadeia, ou seja, as dietas vegetarianas. Tal afirmação viola os mais básicos preceitos ecológicos e termodinâmicos que postulam que, quanto mais nos distanciamos da base de uma cadeia trófica, menor é a disponibilidade energética, já que a fonte primeira de energia para garantir a perpetuação de todas as formas de vida no planeta – em ecossistemas terrestres ou aquáticos – é a fotossíntese.  Além de não citar a fonte do estudo que embasa a problemática conclusão sobre a sustentabilidade das dietas, a matéria faz também alusões genéricas do tipo “se todos os cidadãos do país deixassem de comer carne hoje, o ecossistema entraria em colapso”. Resta saber a que “ecossistema” se faz referência e quais seriam os tipos de colapso, já que estes podem ser os mais variados. A matéria também peca ao não esclarecer ao leitor que qualquer hábito de consumo, interrompido de forma abrupta, provocaria algum tipo de dano, social ou ambiental, haja vista o complexo grau de interconexões e interdependências de todos os tipos em nosso mundo globalizado.
O vegetarianismo é a única forma de revertermos os desequilíbrios ambientais (Foto: VegSource)
Mas o texto contém muitas outras afirmações bastante questionáveis, ou sem embasamento algum.  Algumas delas são: os vegetarianos substituem alimentos de origem animal por soja e lentilha (ou outros produtos importados, ou de alto custo ambiental); os substitutos da carne – como o tofu – são altamente industrializados, e isso demanda uma grande quantidade de energia; o tofu não é mais “verde” do que um prato de churrasco etc. Vários problemas podem ser detectados aqui. O primeiro é afirmar que os vegetarianos, genericamente falando, optam pelos substitutos citados pelo autor, ou que sempre escolhem substitutos com alto custo ambiental (como os não produzidos localmente), coisa que simplesmente não procede. O leque de opções para uma dieta vegetariana ou vegana saudável é muito amplo, o que desqualifica tal argumento. O segundo é generalizar uma questão supostamente verdadeira no contexto inglês ou britânico, como uma verdade universal, e daí afirmar que os vegetarianos fazem mal ao meio ambiente e são prejudiciais ao planeta! O autor se refere, também, à proteína de soja e ao tofu como se fossem a mesma coisa, além de praticamente reduzir os problemas ambientais à emissão de gases do efeito estufa, uma abordagem mecanicista e parcial. Mas há ainda uma afirmação no mínimo intrigante: a de que “a fabricação de proteína de soja consome mais energia do que a transformação de carne bovina em hambúrguer”. Quando li esta frase imaginei que estivesse havendo um problema de redação (ou será uma “pegadinha”?) uma vez que esta é uma afirmação óbvia: é lógico que partindo da carne bovina, como matéria prima (sic), a fabricação de um hambúrguer demandaria pouquíssima energia, pois envolveria, basicamente, apenas a quantidade de energia necessária para movimentar uma máquina de moer. Aliás, esse processo poderia ser feito até de forma  manual, movida por uma fonte renovável: ATP! Será que foi isso mesmo que quiseram dizer com a frase? Entretanto, o processo produtivo até chegar à matéria-prima “carne bovina” (re-sic), gerador de tantas e tão bem documentadas externalidades e desperdícios de recursos naturais e energia, não foi levado em conta na argumentação do autor.
É lamentável que sejam ignorados, na matéria em questão, inúmeros estudos recentes, de grande envergadura, que comprovam os gigantescos impactos decorrentes da pecuária, tais como oLivestock´s Long Shadow – environmental issues and options, publicado pela FAO, em 2006;  oLivestock and Climate Change, de Robert Goodland e Jeff Anhang, de 2009;  o Global Biodiversity Outlook 3 (GBO-3), de 2010; e um interessante estudo da UNEP, também de 2010, intituladoAssessing the Environmental Impacts of Consumption and Production: Priority Products and Materials, que recomenda a adoção de uma dieta essencialmente vegana (p. 82), para diminuir o impacto ambiental. Mesmo o GBO-3, que trata, em tese, apenas de biodiversidade, recomenda, na p. 85, níveis mais moderados de consumo de carne. Estarão os autores e organizadores de todos esses estudos errados? É uma lástima que o autor do texto e os responsáveis pela matéria tenham perdido a oportunidade de – no Ano Internacional da Biodiversidade, 2010 – apresentar dados que apontam a pecuária como um dos principais vetores de perda e degradação de habitats, que são as principais causas de perda de biodiversidade, e de incontáveis outras catástrofes ambientais e sociais.
O texto, ao contrário de prestar essas valiosas informações, promove uma das principais miopias ecológicas que caracterizam a ideologia da sociedade industrial: a tese da “escassez tecnológica”, uma ideia que está diretamente ligada à afirmação da superioridade da técnica sobre a ética e à falácia de que a tecnologia pode resolver os graves problemas sociais, éticos e ambientais que temos hoje em escala global. Mais importante do que investir em tecnologia para reduzir a emissão de gases do efeito estufa ao longo de um processo produtivo, que é um problema entre tantos outros que envolvem a chamada “sustentabilidade”, é aceitar os limites da biosfera, sobretudo no que diz respeito à sua parte senciente: animais e gente!
O conhecimento que temos no âmbito da Agroecologia, entre outras áreas, é mais do que suficiente para que tenhamos informações bastante precisas sobre a sustentabilidade de um produto: se ele é energointensivo ou não; qual seu conteúdo de água virtual; que aspectos éticos estão implicados numa cadeia produtiva etc. Tal visão sistêmica independe do tipo de produto e tampouco está necessariamente atrelada ao avanço da técnica. Sem entrar no mérito da veracidade da afirmação, também muito polêmica, de que cerca de um quarto da população mundial tem uma dieta predominantemente vegetariana, os avanços da ciência da Nutrição e a Ética nos ensinam que o consumo de produtos de origem animal é uma conduta moralmente repreensível: nenhum avanço técnico poderá justificar a continuação – ou seja, a sustentabilidade no plano ético – da exploração e morte de seres sencientes.
Salvar o planeta depende, sim, do tipo da dieta que adotamos e de muitas outras mudanças de cunho ético. Meios de produção mais sustentáveis são importantes, porém insuficientes  para a construção de um mundo melhor.
Finalmente, é fácil entender, ao ler o texto, a razão de haver tão poucos avanços em termos de políticas públicas que visem à sustentabilidade e ao consumo ético: são pessoas como o autor – tecnófilos inveterados – as que ocupam cargos de conselheiros em órgãos que poderiam promover mudanças nessa direção, incentivando novos valores éticos e hábitos de consumo não predatórios.

Por Willian

2 de outubro de 2010

Crueldade praticada pela indústria de ovos orgânicos


Se alguém ainda acredita que ovos orgânicos são uma escolha humanitária e ética, que respeita os animais, por favor veja as fotos a seguir da fazenda americana Organic Valley em Wisconsin: elas mostram pássaros em galpões fedidos, sujos, sem janelas, tão amontados que mal conseguem se mover – muito menos esticar as asas, ciscar a terra ou interagir de alguma forma normal.

As fotos de cortar o coração foram levadas a público por um grupo de pesquisa de fazendas chamado The Cornucopia Institute, em um relatório entitulado “Ovos Mexidos”, que detalha o abuso em fazendas indústriais de ovos.

Como as imagens mostram, ovos orgânicos não querem dizer que os pássaros podem viver livres. De acordo com registros da Peta, as galinhas ainda vivem amontoadas em gaiolas de aço minúsculas e têm uma parte dos bicos cortada, assim como pássaros em fazendas de criação. Orgânico quer dizer que os pássaros não recebem antibióticos – deixando-os mais vulneráveis a doenças nesse ambiente sujo, mal ventilado, lotado.

Quebre o ciclo da crueldade escolhendo alternativas veganas.

Por Giovanna Chinellato  (da Redação)

Fonte

Por Alex Peguinelli

Da liberdade aos animais ou ‘hamster-correndo-em-uma-rodinha’

Se as pessoas têm plena dificuldade de compreender e vivenciar o conceito de liberdade, em suas vidas, como ver a liberdade em seres que consideram inferiores, os animais?


Cada uma dessas pessoas aí fora, marchando pelo mundo na certeza de que realizou escolhas, dentro do fiapo de espaço que o sistema lhes permite, tem noção exata de que ser livre não significa quicar em paredes de condições e poréns?

 Gente que acha que escolheu alguma coisa na vida, apesar de a carreira ter sido teleguiada pelos pais, a aparência pessoal pela moda vigente, a sexualidade pela pressão social, os ‘favoritos’ por indicação, a alimentação pela tradição, o voto político pela falta de opções melhores, a religião pela família ou pela proximidade geográfica, as opiniões pelas vozes mais altas que ouve, entre todos que falam.

Acostumado com o brete, o mundaréu de povo aí fora acha normal o animal escravo, o animal produto, o animal consolo, o animal serventia. ‘Ah mas é bem tratado’, resposta automática que mais ouço, um mantra cantado ad nauseam com sininhos de acompanhamento – justamente esse raciocínio que alguém teve, e o autômato ao lado achou razoável e incorporou a seu receituário de verdades.

Sendo bem-tratado, OK, com a óbvia fiscalização onipresente-onisciente que alguém deve estar fazendo, não eu. Livre é tão distante porque esse sabor não lhe foi permitido, ou ainda só está sendo acenado para depois da morte, como uma bengala para tolerar a vida com a resignação que se faz necessária.

Aplicar esse bem maior que é a liberdade por sobre o lombo de um cavalo, cachorro, passarinho, porco, hamster ou galinha é visto como mais uma das excentricidades dos abolicionistas porque, no fundo do ralo, a vida de cidadão engessado incomoda aquele que resolve questionar os padrões.

As promessas mágicas que a vida por si só parecia oferecer logo adiante, mas a passagem dos anos se revelou apenas um hamster-correndo-em-uma-rodinha, e esse afrouxar de cinto da liberdade vale tanto que não será para um porco que será atribuído, nem pro coelho que arde no laboratório, ou para o passarinho engaiolado que canta porque foi afastado da fêmea.

No corredor estreito que se permite correr, o populacho aí fora acredita que escolheu o programa de televisão, o prato do dia, o representante político, a cor do sapato, a marca de cigarro, a opinião firme sobre aborto / casamento homossexual / imposto sobre grandes fortunas / controle de natalidade / Deus / trabalho / Brasil / família / animais bem tratados ou não.

No entanto, a ausência de leitura ou de conhecimento mais amplo sobre os assuntos não impede que a pessoa deite sua opinião em público, repetindo as palavras que ouviu do pai, ou que achou consistentes, ou que viu na TV alguém dizendo. Incapaz de sentir as próprias entranhas, de cuspir fora os embutidos morais que – voluntariamente – engole para não fazer feio aos demais.

Então se domado pela família, chicoteado pelo grupo social, marcado a ferro pela religião e cabresteado pelo chefe, este cidadão hipotético a quem me refiro vai ler como normal um animal que nasceu para o trabalho que não escolheu, sustentando terceiros. 

E que se tiver sorte, será bem tratado. Na sabedoria popular, na tradição oral passada adiante, o conformar-se com a própria situação está dentro das normas de etiqueta, do que se espera como razoável e sensato, para evitar transtornos ‘ao vizinho’.

Não será um porco escravo, útil para o lucro de uma minoria acima dos demais – pagantes silenciosos, que vai sensibilizar essa maioria que reza o terço dos hamsters, volta após volta na rodinha.

 Fonte

Por Nathália Mota

1 de outubro de 2010

Dia 1° de Outubro - Dia Mundial do Vegetarianismo

 (Mais tirinhas em www.verdetiras.com)
 
No dia 1 de Outubro comemora-se o Dia Mundial do Vegetarianismo. Este dia foi estabelecido em 1977 pela Sociedade Vegetariana Norte Americana. Depois disso, todos os anos, comunidades vegetarianas em todo o mundo têm celebrado o Dia Mundial do Vegetarianismo. Este dia serve para chamar a atenção da comunidade em geral para os problemas causados pelo consumo de carne e ainda para informar sobre as vantagens de uma alimentação vegetariana.

Espera-se pois que no Dia Mundial do Vegetarianismo se comemore o prazer, a compaixão e os muitos aspectos do vegetarianismo que dão outro sabor à vida nos mais variados campos.

Preocupações com a saúde
* "… dietas vegetarianas bem preparadas são saudáveis, nutricionalmente adequadas, e proporcionam benefícios de saúde na prevenção e tratamento de diversas doenças." (Posição da Associação Americana de Dietética (American Dietetic Association) e da Dietistas do Canadá (Dietitians of Canada) - Junho 2003)

Compaixão pelos animais
* "800 milhões de galináceos, 15 milhões de ovelhas, 9 milhões de porcos e 3 milhões de vacas são assassinados todos os anos no Reino Unido". (Compassion in World Farming)

* "A questão não é `Podem eles pensar?`, nem `Podem eles falar?`, mas
Podem eles sofrer?" (Jeremy Bentham)

Consciência ecológica
* Exemplo de problemas aquíferos: São necessários 100 000 litros de água para produzir um quilograma de bife e apenas 500 para um quilograma de batatas. (fonte: Compassion in World Farming Trust, 2002). Peritos dizem que é insustentável o crescimento nas necessidades de carne e lacticínios.

Problema da fome global
* Cerca de três quintos do consumo global de grãos são para alimentar animais.

* Uma percentagem gradativamente maior de trigo é usada para alimentar animais nos países industrializados - 45% na União Europeia.

* Espera-se que "mesmo em 2030 existirão cerca de 440 milhões de mal nutridos" (Fonte: FAO – World agriculture 2015/2030)  


Deixamos-te algumas ideias de como podes celebrar o Dia Mundial do Vegetarianismo:

* Faz um menu vegetariano e envia-o por correio ou pela Internet aos amigos e conhecidos;
* Convida a família e os amigos para um jantar especial;
* Organiza uma refeição vegetariana e convida o público e os VIPs locais;
* Monta bancas em locais públicos e distribui material informativo;
* Incentiva a biblioteca local, da tua escola ou a que frequentas mais regularmente a fazer uma selecção de livros relacionados com o vegetarianismo e fazer um destaque especial;
* Vende/oferece livros de culinária vegetariana;
* Organiza eventos em escolas, colégios e universidades;
* Prepara mostras vegetarianas em rádios e televisões;
* Coloca anúncios na imprensa;
* Envia artigos e notas de imprensa para que os media publiquem artigos
sobre o vegetarianismo;
* Organiza vigílias e marchas;
* Organiza oficinas de arte para jovens sobre temáticas vegetarianas;
* Pede comida vegetariana em estabelecimentos públicos;
* Envia postais e cartões electrónicos  http://www.dgreetings.com/vegetarianday

Referências:  http://www.european-vegetarian.org/lang/pt/info/wvd.php


Por Nathália Mota