Idealizada pelo artista plástico paulistano Nuno Ramos, a instalação batizada de "Bandeira branca", e exposta na Bienal, é composta por três grandes esculturas em formas geométricas, que lembram grandes túmulos.
O confinamento em nome da arte vem irritando internautas e grupos de defensores dos animais que, desde a noite de terça-feira - quando a Bienal abriu pela primeira vez para convidados - lançaram um
Foto: Ravi Santana/Especial para Terra
Protesto é tido como parte da instalação e alvo de fotos do público visitante.
Após o protesto, a polêmica obra de Nuno Ramos, foi invadida por pichadores.
Foto: Filipe Araujo/AE
Por volta das 18h20, um grupo de 30 pichadores invadiu a instalação Bandeira Branca, de Nuno Ramos, e pichou a frase "liberte os urubu (sic)". Houve confronto entre os seguranças e os manifestantes.
Um rapaz cortou com estilete a rede que protegia o trabalho do artista e com spray branco escreveu a inscrição em uma das grandes esculturas negras da instalação. A inscrição faz menção direta às três aves que compõem a obra.
O ocorrido causou tumulto no pavilhão, com cenas de agressão protagonizadas tanto pelo corpo de seguranças da mostra quanto de pessoas que estavam no local. A polícia chegou e em meio a protestos, gritos e apitos, levou um casal preso para o 36.º DP. De lá, os dois suspeitos de pichar a instalação iriam para o Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania, no centro da cidade.
Ambientalistas e representantes de associações protetoras de animais pediram a retirada da obra alegando que as aves estavam sendo maltratadas, mas a direção da Bienal negou as acusações e manteve a instalação. "Estou chocado e profundamente triste", disse, hoje, Nuno Ramos.
"Há muito tempo não via algo assim."
A confusão fez o evento fechar antes do programado, às 19h. A rede de proteção já foi reparada e os dizeres serão limpos.
A opinião de Nuno Ramos sobre o assunto
Protestantes registram boletim de ocorrência
A presidente da ONG Fala Bicho, Sheila Moura, gravou sua conversa com uma protetora dos animais (Talita Flávia) que estava na delegacia registrando o boletim de ocorrência; pois elas foram agredidas.
Clique aqui para escutar a conversa.
Observação: Em nota divulgada à imprensa, os organizadores da 29ª Bienal confirmaram que "o autor da obra possui todas as licenças exigidas pelos órgãos de preservação ambiental para o uso desses animais" e ressaltaram "que a independência curatorial e a liberdade de criação, dentro dos contornos estabelecidos pela lei, são valores fundamentais da entidade".
Fontes:
Terra G1 G1 Estadão
Por Nathália Mota