12 de março de 2011

Pipoca, pitbulls e pet shops.

"Estou enviando a história da Pipoca para você ter conhecimento. É uma pena ter que acompanhar de mãos atadas a impunidade que rege o comércio de animais em Londrina. Se puder enviar esta historia aos seus contatos, ficaria muito agradecida, pois estamos procurando um lar para ela. Tambem quero que a história sirva como um alerta real do porque nao devemos nunca apoiar pet shops que vendem animais...
Obrigada desde já! Bianca e Álvaro".


A Pipoca é uma filhote de pitbull  que até semana passada nunca tinha andado. Não porque ela tinha problema nas pernas, mas porque ela vivia presa em uma jaula minúscula. Ela estava à venda em uma loja de animais, mas não teve a sorte de ser levada logo. Foi crescendo, crescendo, e a gaiola ficando cada vez menor. Pipoca passou 5 meses dentro desta gaiola, sem nunca ter andado, em um porão escuro, sem nunca ter sentido o calor do sol.
“Puxa, mas ela até que está bem nesta foto!” . Bem, a foto acima foi tirada após uma semana longe do inferno de onde saiu. A foto abaixo foi tirada no dia em que ela deixou o pet shop: 


 As patas estão deformadas porque ela não conseguia andar dentro de sua jaula minúscula.  Vendo-a neste estado, o dono da loja resolveu que ela não iria servir para nada, e pediu para que a sacrificassem.
Por sorte isso não aconteceu e ela veio parar em nossas mãos. Depois de uma semana, ela já estava assim:


Não fizemos nenhum esforço hercúleo para deixá-la melhor: apenas água, comida, espaço para andar (as patinhas estão voltando a “se levantar”), carinho e medicamentos.
 Sim, ficamos revoltados. Mas ficamos ainda mais revoltados porque sabemos que este não é um caso isolado. Fabricantes de animais não gostam de animais. Eles só gostam do dinheiro que os animais  proporcionam. A Pipoca é uma pequena amostra do que milhares de animais precisam suportar estando na mão de gente assim. E bem, ela ainda representa uma ínfima parcela dos animais que tiveram sorte.
Para cada filhote fofinho na vitrine do pet shop, existe uma Pipoca sofrendo no porão.
Pelas dezenas de milhares de Pipocas de todas as raças que sobrevivem  em jaulas minúsculas dia após dia nas fábricas de filhotes, nos fundos de quintais, nas chácaras de fabricantes de animais, pelas Pipocas que  são sacrificadas e descartadas como lixo sem que nunca cheguemos a saber… nós pedimos: Jamais compre , suporte ou apóie a venda de animais em pet shops, jornais, internet e feira de filhotes. Este comércio sujo só irá acabar quando nós pararmos de comprar.

* A nossa Pipoca está em tratamento, será castrada e colocada para adoção ( apenas Londrina-PR). Interessados entrar em contato: contato@viralatasderaca.com.br

*Saiba mais sobre as indústrias de filhotes aqui.

Por Bianca.
Postado por Henrique Cruz.

10 de março de 2011

Cães, violência e a miséria humana

A que ponto pode chegar o ser humano diante de uma situação extrema de miséria? O que acontece a nossos sentimentos de piedade e compaixão que fazem nos orgulharmos de ser considerados humanos?

Esse é um dos pontos que chama atenção no livro Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago, que destaca a miserabilidade da condição humana diante do desespero, da falta de condições dignas. Diante da indignidade, o ser humano se torna ainda menos digno.

Essa é a mesma impressão que se tem lendo a notícia do jornal The New York Times de 5 de janeiro – divulgada pela Folha de S.Paulo – contando detalhes das brigas de cães realizadas em Cabul (Afeganistão).
Em uma região de miséria, a aposta em brigas de cães estimula a imaginação de apostadores que sonham embolsar uma boa quantia e incentiva criadores que se absolvem de culpa argumentando que os cães são bem tratados e alimentados. Se eles têm comida e teto, o que é uma luta sangrenta para dar oportunidade de rendimentos ao dono e divertir a plateia, formada por milhares de homens e meninos?  Coisa de macho. Um prêmio que pode chegar a US$ 50 mil não é pouco, especialmente em um país tão pobre.

Os homens parecem pôr à prova sua virilidade por intermédio dos cães, desafiando os opositores, argumentando que seus animais são mais fortes, mais enérgicos, mais jovens…
A defesa para a proliferação do “esporte” é a busca de diversão em uma terra com poucas oportunidades e a vocação natural, herança de décadas de guerra. Então, para relaxar e soltar seus brios, eles colocam para brigar galos, cabras, cachorros, carneiros, camelos. Recriminadas por uns, incentivadas por outros, as brigas prosseguem, realizadas duas vezes por semana, atraindo cada vez mais adeptos.

Em nossa cultura, acostumada a tratar cachorros como parte da família, como filhos queridos, que em certos casos chegam a comer no mesmo prato do dono, a simples menção a uma cena de cachorros lutando até sangrarem, caindo na rua abatidos, choca, revolta. Aqui os cachorros têm nomes, casinha, cobertor e laço na cabeça. Com o Ted, Rex, Lulu e tantos outros cãezinhos no colo, muitos se sentem indignados e devem até exclamar: que barbárie! E a luta entre cães passa como uma consequência funesta da miséria humana.

No entanto, muitos desses donos de cães, gatos, peixes, pássaros, hamsters, coelhos, pintinhos, cágados e tantos outros animais escolhidos para fazer parte de nossa convivência e serem estimados, reservam um espaço na agenda para se divertir no rodeio, ver briga de galo, torcer na farra do boi ou bater palma para o elefante forçado a fazer graça no circo.

Em Cabul eles pelo menos têm a "desculpa" da falta de diversão. E nós, com acesso a emissoras de TV do mundo todo, uma vida cultural rica com teatro, cinema, livros, paisagens maravilhosas para conhecer, internet acessível, que desculpa temos para fazer do sofrimento de animais a nossa diversão?

Até que ponto vai a miserabilidade humana que nos torna indignos mesmo quando podemos viver com dignidade?



“Primeiro foi necessário civilizar o homem em relação ao próprio homem. Agora é necessário civilizar o homem em relação à natureza e aos animais.” (Victor Hugo)


Fonte


Por Nathalia Mota

8 de março de 2011

Até quando os animais serão tratados como objetos de pesquisa?

Estava eu folheando as páginas da revista Veja (edição 2205 - ano 44 - nº 8, p.39) deste mês quando me deparei com uma matéria que me chamou a atenção. Ela se encontra na “Página Einstein” (reservada ao Hospital Albert Einstein) e seu título é “Os limites da pesquisa médica na busca da inovação”. Meu lado ativista veio imediatamente à tona e tratei logo de ler a tal reportagem, na esperança de que se tratasse de algo positivo, algo que demonstrasse a aberração que é o uso de animais em pesquisas. 

Logo de cara o texto explica o quão dependente a área da saúde é de pesquisas, mas que, apesar disso, “surgem alguns questionamentos sobre o que é aceitável e quais os limites que devem guiar novos experimentos”. Ótimo! Concordo.

Continuei desenfreadamente minha leitura e a terminei com uma enorme decepção. Nada, nadinha que ao menos citasse os pobres animais que levam uma vida de torturas para o “bem” da ciência e são depois descartados como meros objetos.

A reportagem parece ter como objetivo mostrar a importância da ética nas pesquisas médicas, que os “hospitais e centros envolvidos com pesquisa na área médica possuem comitês de ética responsáveis por verificar a aplicação de rigorosos protocolos e normas de conduta”, mas logo em seguida nos revela quais seres vivos são dignos de serem tratados segundo os tais rigorosos padrões de conduta, com a afirmação “esses comitês defendem os interesses, a integridade e a dignidade das pessoas envolvidas na pesquisa...”. Agora sim, está explicado.

Uma questão que fica latente na cabeça de qualquer ativista ou pessoa com o menor grau de sensibilidade é: será que esse hospital não utiliza animais em seus experimentos?!? Muito facilmente essa questão é respondida. Basta acessar o site http://www.einstein.br e clicar no link “Pesquisa”. Logo nos deparamos com outro link nada animador: “Comitê de Ética no Uso de Animais de Experimentação” (será que existe essa nova espécie “animais de experimentação” e ninguém nos avisou?). Ao clicar neste link uma “bela” frase nos dá as boas vindas: "A experimentação animal deve ser conduzida apenas após consideração de sua relevância para a saúde do homem e dos animais”.

Será que o Hospital não se esqueceu de nada ao publicar tal reportagem? Será que se esqueceram das vidas que são brutalmente retiradas todos os dias em prol da saúde? Para mim, a resposta é não. Fica muito claro que os animais ainda não alcançaram e estão longe de alcançar um lugar de respeito em meio à sociedade em que também vivem.

O final da reportagem nos deixa um elemento chave sobre as pesquisas médicas (e também sobre qualquer outro tipo de pesquisa): “... é importante garantir que o indivíduo que se candidata a algum teste (...) esteja ciente dos benefícios, dificuldades e riscos envolvidos naquele processo”.  Será que alguém algum dia parou para pensar se os animais que são usados como material de pesquisa querem ser submetidos a tais procedimentos? Será que não é fácil de chegar à conclusão de que eles desejam viver livres, ter um desenvolvimento normal e digno?

O objetivo desse texto é simples: apenas desejo mostrar que nem sempre somos devidamente informados sobre todos os procedimentos que envolvem nossos remédios, nossos alimentos, nossas roupas, nossos brinquedos. Às vezes precisamos dar um passo além do que lemos e procurar o que não está nas linhas. Muitas vezes o que descobrimos é que nossas mercadorias custam a vida de milhares de seres inocentes.

Não termine de ler esse texto e apenas concorde comigo. Comece a mostrar sua indignação com os absurdos dos experimentos em animais e discorde de quem os faz!



Link do Hospital Albert Einstein: http://www.einstein.br
Link da revista Veja: www.veja.com.br

Janaína Camoleze


6 de março de 2011

http://www.institutoninarosa.org.br/

2 de março de 2011

Ministro suspende censura a ONG que questiona maus tratos a animais em Barretos


O ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu liminar à organização não governamental Projeto Esperança Animal (PEA) suspendendo decisão da justiça paulista que proibiu a entidade de vincular os organizadores da Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos à tortura ou maltrato de animais.
A cautelar foi concedida na Reclamação (Rcl 11292) apresentada pela PEA contra decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo que, além de manter a proibição, elevou o valor fixado em primeiro grau para indenização por dano moral contra a associação “Os Independentes”, promotora da festa. “Há espaço suficiente para diferentes opiniões na esfera pública, e é importante para a democracia brasileira que continue assim”, afirmou o ministro.
O relator considerou que a decisão de proibir a veiculação da opinião de que o uso do sedém* é cruel viola o entendimento do STF na ADPF 130, que considerou a Lei de Imprensa incompatível com a Constituição Federal. “Trata-se de juízo que tem fundamento ético, ligado a uma determinada opção de vida e a uma determinada forma de se relacionar com os animais, opinião que não é uníssona e nem de longe compartilhada por todos os cidadãos brasileiros”, observou Joaquim Barbosa.
“A mera existência e circulação de uma opinião divergente sobre os rodeios não ofende os direitos de quem os organiza, patrocina ou frequenta", ponderou o ministro. “Salvo raríssimas exceções – penso, por exemplo, na proibição do discurso do ódio existente em várias democracias -, não cabe ao Estado, nem mesmo ao Judiciário, proibir ou regular opiniões”.
CF/CG
* instrumento que causa desconforto nos animais, fazendo-os saltar e escoicear.


por Willian Santos