1 de julho de 2011

Reino Unido aprova proibição de animais em circos

Mais de 50 parlamentares de todos os partidos majoritários votaram unanimemente pela completa proibição do uso de animais nos circos do Reino Unido. Um forte debate ocorrido recentemente desafiou a diretiva do primeiro-ministro e deixou o governo sem outra alternativa a não ser libertar leões e tigres dos circos.
O voto histórico foi contra as intenções de David Cameron, primeiro-ministro do Reino Unido, que insistia em impor restrições para o uso de animais, prática que contraria as leis europeias e motivaria ações legais. Segundo informações da Care2, atualmente, existem 40 mil animais em três circos do Reino Unido sendo explorados.
“Os parlamentares enviaram ao governo uma instrução clara e agora eles devem prosseguir com os trabalhos para o banimento. Todo o debate e a decisão expuseram e deixaram claro como o governo não estava em sintonia nem com seus pares nem com os grupos que defendem o bem-estar animal”, disse Jan Creamer, diretor executivo do grupo Defensores Internacionais dos Animais (ADI), ao The Independent.
No mês passado, o ADI divulgou que, de acordo com uma pesquisa online feita pelo grupo, 72% das pessoas que votaram apoiavam a proibição. Ano passado, outro levantamento, desta vez feito pela Secretaria de Desenvolvimento, Alimentação e Assuntos Agrários, atestou que 94,5% da população era a favor da proibição.
Durante as discussões, o coronel Bob Stewart, oficial do exército e ex-integrante do Partido Conservador, contou a história de um circo abandonado, descoberto por ele quando comandava as Forças da ONU na Bósnia, que explorava ursos. “Encontrei um urso dentro de uma jaula em uma terra de ninguém, que estava há quatro semanas preso, sem água e completamente infeliz. E ele não sairia de lá de dentro nem por mel”, disse.
Stewart disse que os soldados levaram o urso para a Croácia e que mais tarde o animal foi para a Holanda. “Ele agora está no Zoológico de Amsterdã. Eu apoio completamente a ideia de acabar com aprisionamento de animais em jaulas”, finalizou o coronel.
O voto, entretanto, não obriga o governo a adotar a proibição. A manifestação serve apenas para guiar o governo a introduzir a nova lei a partir de 1º de julho. Mas o ministro do Bem-estar Animal, Jim Paice, disse à Câmara dos Comuns que, se o debate levou à aprovação da proposta, o governo vai respeitar o que foi decidido.
“Esta é uma vitória para a democracia e para o bem-estar animal”, disse a Sociedade Real de Prevenção à Crueldade Animal (RSPCA). A entidade espera ainda que o governo anuncie formal e rapidamente a proibição.
Por Janaína Camoleze

25 de junho de 2011

Ativistas espanhóis são presos como ‘eco-terroristas’

Foto: Publico.es
Por Lobo Pasolini (da Redação)
12 ativistas pelos direitos animais foram presos na Espanha e estão sendo rotulados pelas autoridades como ‘eco-terroristas’, a nova arma da indústria para impedir que o horror da exploração dos animais chegue aos olhos do público.
A notícia foi comentada pelo respeitado blog Green Is The New Red (Verde É o Novo Vermelho) mantido pelo jornalista vegano Will Potter, que escreveu um livro sobre esse perigoso desdobramento da era Bush para perseguir ativistas que trabalham na linha de frente.
A grande mídia chegou a reportar que os ativistas da Igualdad Animal, que realizam resgates abertos, teriam conexões com a Animal Liberation Front. Mas o porta-voz do grupo, Javier Moreno, que também foi preso, disse que eles estão sendo alvos do governo por que esse não conseguiu encontrar as pessoas que cometeram crimes atribuídos a ALF. Trata-se de uma tentativa de criminalizar o movimento, ele disse.
Segundo Will Potter, o caso lembra o recente episódio ocorrido na Áustria, onde ativistas foram taxados de terroristas. Mas é muito cedo para traçar comparações, ele disse.
Já estão programados para amanhã (24 de junho) protestos em frente à embaixada espanhola nos Estados Unidos, Alemanha e Bélgica, Áustria, Inglaterra e cidades espanholas. Segundo um relato do advogado, o grupo está sendo tratado adequadamente pelas autoridades, embora não estejam recebendo comida vegana. Alguns ativistas declararam greve de fome até que recebam alimentação vegana. Eles estão detidos nas delegacias de polícia de Santiago de Compostela e A Coruña.
Nessa página encontra-se uma lista de consulados espanhóis no mundo, inclusive o Brasil. Por favor, telefone registrando protesto contra a prisão dos ativistas e pedindo que comida vegana seja providenciada para eles enquanto eles estiverem nas mãos da polícia.

Fonte: http://www.anda.jor.br/2011/06/25/ativistas-espanhois-sao-presos-como-%e2%80%98eco-terroristas%e2%80%99/
Por Henrique Cruz.

24 de junho de 2011

Vaca abre porta de estábulo e liberta animais na Irlanda do Norte - veja o vídeo

Uma câmera colocada no estábulo pelo dono do rancho flagrou uma vaca libertando os outros animais todas as manhãs. A vaca esticava a língua e soltava o trinco da porteira com a boca.
Veja o vídeo AQUI.


A postagem abaixo (Emoções nos animais: uma ponte para a ética?) deixa claro como devemos interpretar esse tipo de atitude dos animais não-humanos, que, evidentemente, tem uma explicação.


"A vida é valor absoluto. Não existe vida menor ou maior, inferior ou superior. Engana-se quem mata ou subjuga um animal por julgá-lo um ser inferior. Diante da consciência que abriga a essência da vida, o crime é o mesmo." Olympia Salete 


Por Nathalia Mota

23 de junho de 2011

Emoções nos animais: uma ponte para a ética?


Cientificamente, o que podemos dizer de uma manada de elefantes que sempre viajava devagar, pois um de seus membros nunca se recuperara por completo da fratura de uma perna quando era filhote? Ou de outra manada, também de elefantes, em que uma das fêmeas carregava um filhote morto há dias, e os outros elefantes acompanhavam o seu passo lento? Agiam por instinto, por uma questão de sobrevivência? Ou poderíamos dizer que os animais estão agindo de acordo com seus sentimentos, como provavelmente diríamos a respeito dos humanos?

Quem desfruta a companhia de um cão, gato ou qualquer outro animal, por vezes pode perceber certas semelhanças conosco. Com certeza essas pessoas diriam que seus animais têm emoções, embora não saibam precisa-las. Caso essas mesmas pessoas sejam cientistas que tiveram uma educação cartesiana, elas podem afirmar, com mais cautela, sobre a possibilidade de emoções, mas será pouco provável que elas ignorem completamente a possibilidade de existência de emoções nos animais.

Em nosso cotidiano, todos sentimos e conversamos sobre emoções. Entretanto, cientificamente, poucos são os que se atrevem pronunciar a respeito. Tal ousadia se intensifica quando o assunto é especificamente dirigido aos animais: às emoções dos animais. É nessa corda bamba que os autores decidem caminhar. Tentando se equilibrar entre as acusações de anticientífico e antropomorfizador ou de negligenciar as evidências empíricas das pessoas que lidam com animais.

Ele: Jeffrey Moussaieff Masson, psicanalista e doutor em sânscrito.  Desde a década de 1990, dedica-se à investigação da vida emocional dos animais, escrevendo também outras obras sobre o tema, inclusive o prefácio do livro de Tom Regan, Jaulas vazias. Ela: Susan McCarthy, diplomada em biologia e jornalismo.  Ambos, dando-se conta da inexistência de publicações sobre a vida emocional dos animais, concluíram que o livro que gostariam de ler ainda precisava ser escrito.

Um dos motivos para a falta de publicações científicas sobre as emoções dos animais é o medo de ser acusado de antropomorfismo, “uma forma de blasfêmia científica”, com o qual os autores lidam muito bem. Cada capítulo trata de uma emoção e em nenhuma ele oferece respostas definitivas. É, realmente, uma emoção atrás da outra em cada história sobre os sentimentos em diversas espécies de animais. Com os exemplos das narrativas, o que pretendem é fazer o leitor ‘parir’ suas conclusões. Por isso, talvez pudéssemos defini-lo como um livro maiêutico. Nele somos levados a viver as histórias junto aos animais e a nos identificarmos com as diversas situações. Através da identificação dos sentimentos e situações passadas, somos também levados a nos questionar, além da especificidade de nossa espécie. Questionamo-nos se temos certeza sobre o que sentimos e sobre o significado daquilo que sentimos.  Afinal, como temos certeza que o outro sente a emoção que ele realmente diz estar sentindo?

O inovador é a crítica que os autores fazem aos cientistas que tentam negar as emoções animais, pois afirmam serem todas frutos de antropomorfismo. Ele provará ser possível, pela observação, percebermos as semelhanças entre nossos sentimentos e os deles. Contudo, não deixa de perceber os limites e as diferenças entre animais humanos e animais não-humanos. Uma percepção interessante dessa linha é a da filósofa britânica Mary Midgley, citada no livro, quando ela diz que os treinadores indianos de elefantes podem sim interpretar erroneamente alguns dos comportamentos dos elefantes, pois os aproximam demais dos humanos. Contudo, se eles ignorassem os sentimentos básicos do dia-a-dia – como, por exemplo, quando eles estão irritados ou desconfiados – eles não só teriam problemas como treinadores, como também correriam risco de vida.

Atualmente, a ciência que mais se aproxima das emoções animais é a etologia, que estuda o comportamento animal. Porém, esta procura explicações causais para o comportamento dos animais, e não emocionais, recorrendo quase sempre aos instintos como justificativa. A visão tradicional diz ser mais recomendável estudar o comportamento do que tentar chegar às emoções subjacentes. Afinal, emoções são difíceis de serem catalogadas ou simplesmente descritas por palavras. Quando a descrevemos, estamos racionalizando um sentimento, algo por si só subjetivo. Mas como não racionalizar? Como compreender a emoção por si? Será possível termos empatia suficiente para nos colocarmos no lugar dos animais e entendermos com a mente/emoção deles?

Cesar Ades (1997) reconhece que compreendermos o animal nele mesmo implica um enorme problema de tradução de significados. Como já disseram os italianos, tradutore traditore, ou seja, nenhuma tradução é inteiramente fiel ao original. Ades também afirma que toda possibilidade de conhecimento sobre outra espécie será dada por meio de construção de significado.(1997;133 in Chipanzés não amam). Assim, tal conhecimento nunca será neutro.

Quando tratamos de outra espécie, corremos riscos toda hora, como os já citados treinadores indianos de elefantes. Se acreditarmos que nossos sentimentos são as únicas e verdadeiras experiências que todos os animais possam ter, corremos o risco de humanizá-los, de não os compreendermos como eles são, nos enganarmos com relação às emoções e, pior, desrespeitar as emoções deles. Se tivermos muito medo de antropomorfizar, ignorando a possibilidade de semelhança que possam ter conosco, corremos risco de considerá-los objeto.
Há alguns anos atrás, etnólogos consideravam que determinadas emoções ocidentais não eram passíveis de ocorrer em culturas consideradas inferiores. “Parecia irrelevante, então, querer saber algo a respeito de compaixão ou do sentimento estético em certas tribos montanhesas, como agora parece acontecer quando se quer catalogar os sentimentos estéticos entre os ursos”(2001;40). Da mesma forma em que é possível supor sentimentos de humanos pela linguagem corporal (sem que haja comunicação verbal), também o é quanto aos não-humanos, mesmo que a linguagem corporal seja completamente diferente. O que uma pessoa sente nunca poderá ser exatamente percebido pela outra.

Quando uma fêmea protege seu filhote, dizemos que é instinto. Porque não podemos dizer isso de uma mãe protegendo seu filhote? Reconhecendo que seja instinto, isso significa ausência de amor, significa que não há emoção? No decorrer do livro, os autores propõe essa junção. Não ignoram as vantagens evolucionistas, entretanto reconhecem que não são suficientes. É preciso ir além, reconhecer que, como nós, nem todas as emoções são benéficas evolutivamente, como os casos narrados no início dessa resenha: uma manada de elefante que anda lentamente em solidariedade a um companheiro não tem muitos benefícios evolutivos. Assim como animais que sofrem de tristeza: não há mérito nenhum em perder a vontade de tudo devido a perda de alguém. Ou o sentimento de medo, um dos mais frequentemente caracterizados como instinto. Quando muito intenso, ao invés de levar a fuga, pode produzir choque e levar a paralização. Por exemplo os gnus, quando encurralados por hienas, raramente tentam se defender. Permanecem na mesma posição enquanto são comidos vivos, mugindo.

Com o advento dos estudos de animais em laboratórios, o distanciamento dos cientistas em relação ao mundo dos sentimentos animais ficou ainda maior, para “proteger” a consciência dos pesquisadores. Os interesses profissionais e financeiros na continuidade da pesquisa animal, portanto, ajudam a explicar a resistência à noção de que os animais têm uma vida emocional complexa. Em muitos casos a emoção dos animais é detalhadamente descrita e constatada. Estas evidências, contudo, não são consideradas dignas de credibilidade cientifica, por não pertencerem ao modelo padrão “experimental”. Consequentemente, tais evidências, que poderiam inclusive ser base para um estudo mais aprofundado, não são publicadas. Os cientistas costumam afirmar que determinado comportamento de um animal é um mero reflexo ou atributo evolutivo, ao invés de atribuir a ele determinada emoção. Um pássaro canoro cantando, por exemplo, ao invés de ser visto cantando com alegria e prazer, é visto como um animal marcando território ou tentando atrair possíveis parceiros. Na realidade, nada impede a presença das duas visões. Uma não excluí a outra. A ciência necessita de abordagens mais eficientes e sofisticadas.  Os autores estão o tempo todo tentando conciliar essas diferentes perspectivas a fim de compreender o animal da forma mais fiel possível.
Os autores, reconhecendo a ausência de neutralidade no estudo dos animais, não somente demonstram que eles também tem emoções, como vão além mostrando o quanto a negação da possibilidade de sentimento não é só uma tentativa de “ser científico”, mas esconde interesses especistas.

Há uma urgência no humano em definir-se não apenas diferente do animal não-humano, mas inteiramente diferente dele, inclusive emocionalmente. As distinções não são neutras, apenas diferenças características, mas baseados nelas que os grupos dominantes pretendem justificar o seu poder. Assim, a suposta falta de emoções em animais é uma recorrente desculpa para justificar a sua exploração. Quando dessensibilizamos o outro, nos dessensibilizamos perante ao outro.


Entendemos aí o brilhante título do livro: Quando os elefantes choram. O choro remete a lágrima. Lágrimas são as únicas secreções consideradas dignamente humanas. As outras secreções são consideradas excrementos; pois, presentes em outros animais, nos lembram nossa condição animal, o mais natural de nosso ser, que não pode ser suprimido, embora deva ser excretado. As lágrimas não, elas constam nos livros, nas poesias, nas fotos, não precisam ser escondidas como são as outras secreções. Assim, Quando os elefantes choram – sim, eles podem também chorar – eles se aproximam de nós e fica cada vez mais difícil delimitar a barreira que nos diferencia dos outros animais.

Com tantas descobertas, a conclusão do livro não poderia deixar de ser brilhante. O autor discute a ética que deve surgir como consequência do entendimento correto das emoções animais. Aos poucos os cientistas começam a ter humildade suficiente para admitir que os animais também têm semelhanças conosco no campo sentimental. Isso nos coloca como mais uma espécie na natureza, não como os melhores, mas como diferentes. Iguais na capacidade de sentir a maioria das emoções e na vontade de viver, diferentes em outras características.

A ponte das emoções à ética pode ser construída pela empatia. É a capacidade de termos empatia que constrói o respeito e a consolidação pelo outro. Maturana diz que para termos empatia é preciso imaginação. Ele cita o jovem que, ao visitar uma exposição sobre Hiroshima, disse não se sensibilizar; Afinal, não tinha capacidade para incorporar no seu mundo aqueles japoneses, pois estavam tão distantes. Se não podia aceitá-los como legitimamente outro na convivência, não se preocuparia com eles. Maturana deduziu que é necessária imaginação para se ter empatia. Imaginação para tentarmos compreender o outro, o sentimento alheio, incorporando-os em nosso mundo. Creio que esse é um grande mérito desse livro: através das histórias reais de animais de outras espécies, somos levados a imaginar e, assim, a nos colocar no lugar deles. Como Moussaieff Masson diz “Pode ser difícil imaginar o universo sensorial de outra espécie, mas não é impossível.” (2001,279).



Fonte - Por Tania Vizachri – Formada em Ciências Sociais, é professora de Sociologia do Ensino Médio.

Por Nathalia Mota

20 de junho de 2011

O QUE ESTAMOS ESPERANDO PARA AGIR ?

por Nina Rosa.

Sabemos dos holocaustos sem fim nos matadouros, sabemos dos confinamentos de vidas femininas submetidas à inseminação artificial ano após ano, tendo suas crias arrebatadas no primeiro dia de vida, sem ao menos poder amamentá-las, para que sobre mais leite para ser vendido. E sabemos que ao final de todo esse sofrimento e total privação da liberdade, ainda virá o matadouro. Tanto para a mãe, como os filhos.

Será aceitável que ainda existam matadouros? Sabemos que eles só existem porque nós os sustentamos.Sabemos dos horrores a que são submetidos nossos irmãos das águas na indústria da pesca, onde trilhões são mortos indiscriminadamente pelos navios frigoríficos. E na crueldade da chamada “diversão” nos parques aquáticos, pesca oceânica, pescarias de finais de semana, entre outros.Sabemos da crueldade que também sofrem nossos irmãos silvestres, raptados, engaiolados para sempre pelo comércio ilegal, imoral, mas tolerado e patrocinado por quem quer exclusividade no canto ou no lamento de um pássaro.

Sabemos do TERROR dos nossos irmãos condenados a torturas inimagináveis, apenas por terem recebido da natureza uma linda e macia pelagem, pois, não contentes com as nossas, arrancamos as peles deles, por futilidade.

Sabemos, se temos olhos para ver, da quantidade de sofrimento pelas ruas, becos, praças,estradas, de cães, gatos, cavalos, vagando, magros, tristes, abandonados, com sequelas de atropelamentos, ou de espancamentos, ou de estupros, a que estão sujeitos como vítimas indefesas do desequilíbrio humano.Há ainda aqueles em verdadeiras prisões domiciliares, negligenciados ao extremo, amarrados em locais desabrigados de sol, chuva e vento, com falta de espaço, de alimentação, higiene, de atenção…enfim, de amor. Eles, que tão bem sabem amar.

Todos nós andamos pelas ruas das cidades, e é impossível não perceber o sufocamento das nossas irmãs árvores, cimentadas até o pescoço, transformadas em verdadeiras lixeiras por humanos menos educados, que depositam seus sacos de lixo, ou os dos dejetos de seus animais a seus pés. Será uma oferenda? É isso que queremos oferecer às amigas que nos dão sombra, ar purificado, beleza, frutos, flores e alegria? Centenas de árvores caindo, doentes, por falta de atenção, de cuidados, submetidas a podas em épocas inadequadas, vendo derrubados os ninhos de seus companheiros passarinhos.E nossas irmãs águas, temos reparado nelas? Será que estamos valorizando esse líquido sagrado e precioso, será que estamos procurando nos atualizar sempre com novas idéias de como poupá-las, reutilizá-las? Estamos passando adiante esses conhecimentos? Nossas irmãs pedras, será que reconhecemos e respeitamos sua sabedoria milenar?

Amigos, vamos nos desprogramar! Porque sim, fomos todos programados para continuar isso que está aí..e que já está claro que não serve para quem almeja evoluir.Vamos considerar tudo isso passado e acordar para uma nova realidade, onde não faremos mais parte da negação e da omissão. Há inúmeras oportunidades. Cada uma das situações horríveis que descrevemos acima significa uma oportunidade de equilibrar, fazendo o contrário. Participou ou testemunhou uma situação danosa? Faça o contrário. Faça o contrário!Se nos comunicarmos com os outros reinos além do nosso, nossa vida ganhará alegria, ganhará uma nova dimensão. 

Teremos amigos sábios, fiéis, gratos, com uma capacidade de irradiar amor que ainda não conhecemos entre humanos. Tudo isso está aí, à nossa disposição.E o que fazemos? Em geral ficamos no nosso mundinho, acalentando nossos pequenos problemas, até que pareçam enormes e tomem toda nossa energia. Então ficamos cansados demais para qualquer coisa, e amargamos frustração, porque nosso verdadeiro eu quer muito mais de nós…Vamos deixar de financiar assassinatos em matadouros. Vamos evitar ao máximo calçados e bolsas de couro e usar só os que não contém crueldade embutida (lembrar que trabalho escravo não é só contra os animais, como as vacas chamadas“leiteiras”, galinhas chamadas “poedeiras” ou ainda as cadelas e gatas chamadas “matrizes” para terem seus filhotes vendidos), mas há também trabalho escravo humano adulto e infantil e muitos artigos de origem chinesa, à venda no comércio por preços muito baixos, podem ter origem de trabalho escravo.

Então vamos combinar: casacos de peles ou golas de peles alheias, nem pensar. Pele, só a sua mesmo. Tapetes de peles de boi, estofamentos de couro natural nos assentos dos automóveis,repudie! Isso não é chic, isso demonstra inconsciência, egoísmo, futilidade.Vamos evitar ao máximo produtos testados em animais.

 Medicamentos ainda não existem, mas produtos de beleza sim, e os produtos de higiene da casa, podemos fazer em casa mesmo, sem química, e sem prejudicar nossos animais de estimação e nem o ambiente.Vamos passar a enxergar e nos envolver compassivamente com os cães e gatos por onde transitamos. Há inúmeros deles precisando da nossa ajuda: adotar, prestar serviço voluntário,ajudar financeiramente quem os acolhe.

O que mais podemos fazer pelos reinos…Podemos ajudar na rua um animal em situação de risco que esteja precisando de um olhar,uma palavra de conforto, alimento, atendimento médico-veterinário, ajuda para encontrar um novo lar. Alguma coisa sempre podemos fazer. 

Para ajudar os cães e gatos de maneira coletiva é necessário organizar controle populacional (castração), campanhas de educação e de adoção.Podemos trabalhar fazendo palestras em escolas, em centros comunitários, em favelas,exibindo ou oferecendo para exibição os filmes educativos do INR. Eles são produzidos com o propósito de apoiar esses trabalhos de sensibilizar, de educar em valores. Podemos e devemos denunciar maus-tratos quando presenciamos algum (no site do Denunciar é uma forma de valorizar a vida animal e de educar humanos. Circos, zoológicos, rodeios? Nem pensar! Precisamos é de santuários para abrigar os animais retirados dessas locais que os exploram. Para os santuários de animais são necessárias grandes áreas de terra, mas o mais difícil não é conseguir as terras, muito difícil é ter pessoas responsáveis e abnegadas que tenham como propósito de vida cuidar de um santuário.É trabalho para todas as horas do dia e da noite de uma vida inteira. Sem vida pessoal. É  necessário muito, mas muito amor pelos animais, além de equilíbrio psíquico.Comprar objetos de marfim, andar de camelo, charrete, bodinho, aluguel de cavalos, tudo isso é sustentar a exploração.Comprar animais silvestres, domésticos, ou qualquer outro, é ser conivente com o abuso. Quem vive da procriação desses animais deveria procurar emprego, ao invés de explorar fêmeas e machos para proveito próprio.

Se cada um de nós cuidar ao menos uma só árvore, aquela que está em frente à nossa casa, ou estabelecimento comercial, indústria, do local onde trabalhamos, estaremos emanando não só exemplo positivo ao nosso redor, como também irradiando respeito e amor a todas as outras irmãs árvores, por intermédio dos seus seres guardiães. Ao cuidar de uma árvore, esse amor se irradia, e que diferença podemos fazer no mundo, só com a energia dedicada ali: manter limpa do excesso de cimento, das impurezas, aguar, se necessário preencher de terra o espaço ao redor e plantar folhagens ou florzinhas para manter a umidade e embelezar.

Quando pensamos nos reinos da natureza, em geral pensamos numa divisão, mas quando nos referimos à VIDA, somos um só organismo e os reinos são inter-dependentes . Como seres pertencentes ao reino humano, o que nos diferencia dos outros reinos é exatamente aquilo que nos capacita a ser responsáveis por eles. Amigos, vamos deixar nossa consciência e o amor de nosso coração comandarem nossos egos.Vamos tomar a decisão interna de estar despertos para o Bem Geral. E se sentimos o impulso de ajudar, de alguma dessas formas, ou de outra, vamos sustentar esse impulso positivo, sair do plano das idéias e concretizar a ação. É necessária coragem para fazer o bem, vamos nos atirar, confiando na nossa intuição e amparados pelo nosso coração.Vamos parar de resistir àquilo que sabemos internamente que temos que fazer. Enquanto podemos. 

Vamos nos deixar inundar pelo amor, pela gratidão de ter perante nós tantas oportunidades de colaborar, contribuir – pois para nós mesmos não precisamos de nada , não é ? Vamos nos permitir a alegria de dizer sim, de aceitar servir, servir por servir, sem expectativas de retorno,com paciência, determinação, simplicidade, humildade e discrição. Vamos incluir outros reinos em nossas vidas e assim nos tornar mais completos. Vamos contribuir também com energia monetária, que pode ser tão útil para suprir necessidades básicas, quando para quem já está suprido delas… acumular para que? Vamos investir, sim, mas no Amor, na compaixão e na generosidade…Confie na sua intuição!Vamos liberar os excessos, e guardar apenas o que podemos amar. Será que cuidamos e não há peças no fundo de alguma gaveta que há tempos não vêm a luz do sol? Se houver,certamente alguém poderá valorizá-las melhor. Com simplicidade podemos ser pró-ativos para o Bem Geral. 

Para quem se interessa pelo material educativo em filmes, seja para se inspirar, seja para exibir como ferramenta educativa, pode encontrar no site do INR www.institutoninarosa.org.br  inclusive um material novo, filme de 55 minutos todo em animação, que se chama VEGANA ideal para crianças e adultos de qualquer idade, e para ser divulgado em todos os ambientes e mídias que cada um tiver acesso. Muito do que dissemos aqui está representado lá.


Por Janaína Camoleze