Para os membros de nossa sociedade preocupados com as condições de vida dos animais não humanos, fica a necessidade de enxergar esta situação calamitosa em um contexto mais amplo de vida urbana e industrializada, onde, independentemente da espécie – e do reino – tudo vira matéria-prima, peça em sistemas produtivos cujo valor se pauta pela produtividade. Isto, certamente, revela os limites do veganismo como apenas uma variação do consumo, escancarando a necessidade de transformações estruturais em nosso modo de vida, nossa relação com o resto da natureza. Inclusive, é necessário encarar com coragem, o modo de produção de nossos vegetais.


Em época de tanta discussão sobre os gargalos de nossa Previdência Social, vale trazer o dado apontado pelo filme de que mesmo com a contribuição de 3% do salário dos trabalhadores (por serem as indústrias frigoríficas consideradas de alta periculosidade), ainda assim o Estado arca com mais R$ 7 bilhões direcionados aos trabalhadores adoentados e inutilizados por seus trabalhos nestas linhas de produção, dado o enorme número de pessoas nessas condições.
Nosso país se orgulha de possuir o maior rebanho bovino do mundo, ser o maior exportador de proteína animal e possuir a maior das indústrias frigoríficas. Um setor econômico alardeado como fundamental para o tal desenvolvimento da pátria. Seria de grande valor, antes de festejos impensados, checar o que estes dados significam para a vida de todos os envolvidos nestes processos produtivos, humanos e não-humanos. Festeja-se a industrialização da vida, a institucionalização da tortura, a transformação de processos vitais em linhas de produção cada vez mais aceleradas, fornecendo carnes e seus subprodutos industrializados em cada vez maior quantidade, maior variedade, maior facilidade para o consumo cada vez mais rápido pela acelerada população.
Por Willian Santos
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